
Arrokoth e outros objetos do Cinturão de Kuiper contém gelo antigo, sugere estudo
Por Sandro Felix
Publicado em 03/04/24 às 06:44
Uma equipe de cientistas planetários da Universidade Brown e do Instituto SETI anunciou uma descoberta surpreendente que está redefinindo nossa compreensão sobre os objetos do Cinturão de Kuiper, uma vasta região do Sistema Solar além da órbita de Netuno. O estudo, liderado pelo Dr. Sam Birch e Orkan Umurhan, revelou a presença de gelo antigo preservado nos interiores desses corpos celestes, desafiando previsões anteriores e lançando nova luz sobre sua formação e evolução.
Arrokoth, um objeto específico do Cinturão de Kuiper, foi o foco desta investigação. Visitado pela sonda New Horizons da NASA em 1º de janeiro de 2019, Arrokoth se revelou uma mina de informações cósmicas. O novo modelo matemático desenvolvido pela equipe mostrou que gelos altamente voláteis, como o monóxido de carbono, podem permanecer preservados em seu interior por bilhões de anos.
“A maior parte da nossa comunidade pensava que esses gelos deveriam estar perdidos há muito tempo, mas pensamos agora que pode não ser o caso”, comentou o Dr. Birch, enfatizando a importância da descoberta.

Essa descoberta tem implicações profundas para a astronomia. Ela desafia modelos térmicos anteriores, sugerindo que os objetos do Cinturão de Kuiper podem servir como “bombas de gelo” adormecidas, preservando gases voláteis em seus interiores até que mudanças orbitais os aproximem do Sol, desencadeando erupções violentas que os transformam em cometas.

Além de redefinir nossa compreensão dos objetos do Cinturão de Kuiper, essa descoberta pode influenciar futuras estratégias de exploração espacial. A missão Comet Astrobiology Exploration Sample Return (CAESAR) da NASA, por exemplo, pode se beneficiar desses novos insights para orientar suas atividades de amostragem.
