Verme predador ‘gigante’ de meio bilhão de anos é descoberto na Groenlândia

Verme predador ‘gigante’ de meio bilhão de anos é descoberto na Groenlândia

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Publicado em 04/01/24 às 16:15

Cientistas da Universidade de Bristol revelaram a descoberta de fósseis de uma nova e imponente espécie de verme predador, que se acredita ter percorrido as águas da Terra há mais de 518 milhões de anos.

Denominado Timorebestia, ou “besta do terror” em latim, esse verme é considerado um dos primeiros carnívoros nadadores do planeta, pertencendo a uma “dinastia” diversificada de predadores previamente desconhecida pelos cientistas, segundo pesquisadores das Escolas de Ciências da Terra e Ciências Biológicas da Universidade de Bristol.

Com cerca de 30 cm de comprimento, o Timorebestia teria sido um gigante em sua época, ocupando um papel semelhante aos principais carnívoros dos oceanos modernos, como tubarões e focas do período Cambriano.

TimorebestiaFóssil do Timorebestia / Imagem: Tae-Yoon, S Park

Os fósseis, descobertos na região de Sirius Passet, no norte da Groenlândia, revelaram características notáveis do Timorebestia, incluindo barbatanas ao longo do corpo, uma mandíbula impressionante e longas antenas. A análise do sistema digestivo fossilizado indicou que sua dieta incluía artrópodes nadadores, especificamente o extinto bivalve Isoxys.

TimorebestiaReconstrução mostrando anatomia interna e externa (vermelho: musculatura; azul: gânglio ventral; preto: aparelho mandibular; verde: intestino) Imagem: Tae-Yoon, S Park

Jakob Vinther, autor sênior do estudo, destaca que essa descoberta lança luz sobre ecossistemas marinhos primitivos, mostrando que esses predadores nadadores, como o Timorebestia, desempenharam um papel crucial antes da ascensão dos artrópodes. A pesquisa também sugere que o Timorebestia pode oferecer insights valiosos sobre a evolução das minhocas-flecha, evidenciando características compartilhadas com os chaetognatas modernos.

Luke Parry, da Universidade de Oxford, ressalta a relevância da descoberta para entender a origem dos predadores com mandíbula, destacando as similaridades e diferenças entre o Timorebestia e os vermes-flecha contemporâneos. O estudo também revelou um centro nervoso único compartilhado entre o Timorebestia e os vermes-flecha, fortalecendo a hipótese de que esses vermes gigantes são ancestrais das espécies menores.

O artigo completo sobre a descoberta foi publicado na revista Science Advances.

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