
Arqueólogos encontram caverna da idade da pedra preservada por 17.000 anos
Por Sandro Felix
Publicado em 07/12/23 às 16:02
Arqueólogos do norte da Espanha revelaram recentemente uma descoberta extraordinária: uma das mais bem preservadas habitações paleolíticas do mundo, localizada na caverna La Garma, na Cantábria. Datando de aproximadamente 16.800 anos atrás, esse espaço habitacional surpreendentemente preservado oferece uma visão de como era a vida dos antigos habitantes, com ferramentas e artefatos dispostos pelo chão, quase como se o tempo tivesse congelado desde sua última ocupação.
Descoberta inicialmente em 1995, La Garma serviu como lar humano ao longo do Paleolítico Superior, abrigando uma das coleções mais abrangentes de arte rupestre da Europa, desde a Idade da Pedra até o período Magdaleniano, quando a entrada da caverna foi bloqueada por uma queda de rochas, transformando-a em uma cápsula do tempo pré-histórica.
Embora a câmara principal da caverna tenha permanecido inacessível ao longo de milênios, as cavernas vizinhas continuaram a ser habitadas ao longo do tempo. Resíduos de cozinha datados da Idade da Pedra Média, sepulturas que remontam à Idade do Cobre e do Bronze, assim como estruturas da Idade do Ferro das eras Visigótica e Medieval, são testemunhos tangíveis da rica história de ocupação na região. Surpreendentemente, a antiga caverna permaneceu desconhecida até recentemente, apesar da longa e diversificada ocupação das cavernas circundantes.
Conforme detalhado pela Universidade da Cantábria, o espaço oval, medindo cerca de 5 metros quadrados, é delineado por blocos de pedra e estalagmites que ancoravam uma estrutura feita de paus e peles, sustentada por uma saliência na parede da caverna. No centro, uma lareira é cercada por uma variedade de itens utilizados no cotidiano dos habitantes pré-históricos, incluindo ferramentas para produção de artefatos de pedra, chifres e ossos, além de instrumentos para abate de animais e processamento de peles. Entre os 4.614 itens recuperados até agora, destacam-se lanças, agulhas e um “protoarpão”.

A caverna revelou não apenas artefatos utilitários, mas também peças artísticas impressionantes, como um osso de auroque gravado com a imagem de um auroque e um rosto humano – um artefato único na Europa paleolítica. Pingentes confeccionados com ossos de veados, cavalos e bisões, indicam a prática de adornos pelos habitantes da caverna.
Os pesquisadores continuam suas escavações e análises, empregando técnicas não invasivas para aprender mais sobre La Garma e garantir sua preservação contínua. Detalhes adicionais sobre a descoberta serão revelados em uma coletiva de imprensa marcada para fevereiro de 2024, no Museu Nacional de Arqueologia da Espanha.

