
Batizado de Zelândia, oitavo continente é revelado oficialmente pelos cientistas
Por Sandro Felix
Publicado em 04/10/23 às 16:21
Embora muitos acreditem que nosso planeta não guarda mais segredos a serem desvendados, a pesquisa científica ocasionalmente nos surpreende ao revelar que a Terra ainda esconde muito mais do que imaginávamos. Um estudo recente publicado na revista “Tectonics” com o título “Reconhecendo a Geologia e Tectônica Submarina da Zelândia do Norte” apresenta uma descoberta intrigante: a existência do oitavo continente oculto sob a superfície terrestre, conhecido como Zealandia. Este continente enigmático está submerso em aproximadamente 95% de sua extensão e, de acordo com estimativas, formou-se há cerca de 60 milhões de anos, quando se separou do supercontinente Gondwana.
O estudo, que empregou técnicas inovadoras, como a coleta de amostras do fundo do mar na região de Fairway Ridge, no Mar de Coral, permitiu o mapeamento abrangente da geologia subaquática da Zelândia do Norte. Esses resultados foram combinados com dados de anomalias magnéticas regionais e informações de pesquisas anteriores, culminando em um mapeamento detalhado do território subaquático.

A pesquisa se destacou pelo amplo escopo de seu mapeamento, abrangendo todo o continente com uma área de aproximadamente 5 milhões de quilômetros quadrados. Essa descoberta revela uma parte essencial da história geológica da Zelândia do Norte, incluindo o seu colapso, que ocorreu durante o Cretáceo Superior, devido ao enfraquecimento geral da região. Isso resultou na formação de fendas que permitiram a entrada incessante de água, criando uma intrincada rede de caminhos que enfraqueceu a estrutura continental e deu origem ao Mar da Tasmânia. O processo de estreitamento desempenhou um papel fundamental no afundamento gradual da área, transformando-a no continente agora identificado por esse novo estudo, corroborando resultados de pesquisas anteriores, como um estudo de 2017 publicado na revista “GSA Today.”
Nick Mortimer, o principal autor do estudo, enfatizou a importância dessa descoberta, afirmando: “A identificação da Zelândia como um continente geológico, em vez de uma coleção de ilhas continentais, fragmentos e fatias, representa mais corretamente a geologia desta parte da Terra.” Em uma entrevista com a TVNZ (Televisão da Nova Zelândia), ele acrescentou: “Se pudéssemos unir os oceanos, ficaria evidente para todos que temos cadeias de montanhas e um continente vasto e elevado.” É importante notar, no entanto, que a Zelândia é um dos continentes mais pequenos, cobrindo uma área de apenas 4,9 milhões de quilômetros quadrados, além de ser o mais fino, com uma crosta variando entre 10 e 30 quilômetros de espessura.
