
Astrônomos revelam evidência de CO2 escapando de Europa, uma das maiores luas de Júpiter
Por Sandro Felix
Publicado em 24/09/23 às 06:32
No vasto universo, uma descoberta notável vem à tona, pois astrônomos desvendaram um depósito significativo de dióxido de carbono (CO2) em Europa, uma das luas geladas de Júpiter. Esse mundo distante é coberto por uma espessa crosta de gelo, sob a qual repousam um oceano de água salgada e um leito rochoso submarino. Europa, há muito tempo, é considerada um dos locais mais promissores para o surgimento da vida em nosso sistema solar. No entanto, até recentemente, os cientistas não tinham certeza se seu oceano continha os componentes químicos essenciais, como o CO2, para sustentar a vida. Agora, esse cenário mudou dramaticamente.
As observações detalhadas realizadas pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST) revelaram a presença de dióxido de carbono na superfície de Europa, o que está em consonância com a ideia de que o CO2 provém do oceano subterrâneo, ao invés de ser trazido por impactos de meteoritos. Essa descoberta possui implicações profundas para a possível habitabilidade de Europa.
Geronimo Villanueva, pesquisador do Goddard Space Flight Center da NASA e principal autor de um dos dois artigos independentes que descrevem essas descobertas, comentou: “Na Terra, a vida floresce na presença de diversidade química – quanto mais diversidade, melhor. Compreender a composição química do oceano de Europa nos ajudará a determinar se ele é inóspito para a vida tal como a conhecemos ou se poderia ser um ambiente propício para a sua existência.”
Samantha Trumbo, da Universidade Cornell e autora principal do segundo artigo, acrescentou: “Estamos agora convencidos de que temos evidências observacionais sólidas de que o carbono presente na superfície de Europa tem origem no seu oceano. Isso é de extrema importância, uma vez que o carbono é um elemento fundamental para a vida.”

Crédito da imagem: NASA, ESA, CSA, G. Villanueva (NASA/GSFC), S. Trumbo (Cornell Univ.), A. Pagan (STScI)
É importante ressaltar que o dióxido de carbono não se mantém estável na superfície de Europa, sugerindo que ele chegou lá em um passado geologicamente recente. Sua maior concentração foi identificada em Tara Regio, uma área conhecida por suas características de “terreno caótico” que surgiram de eventos passados de ruptura da crosta de gelo, resultando em interações entre o oceano e a superfície.
Sobre essa descoberta, Trumbo explicou: “Observações anteriores feitas pelo Telescópio Espacial Hubble indicavam a presença de sais derivados do oceano em Tara Regio. Agora, estamos vendo que o dióxido de carbono também está altamente concentrado nessa região. Isso nos leva a concluir que o carbono provavelmente tem sua origem no oceano interno.”
Os cientistas ainda debatem a extensão da ligação entre o oceano de Europa e sua superfície, uma questão que tem impulsionado fortemente a exploração deste intrigante mundo. Villanueva ressalta: “Essa descoberta sugere que poderemos aprender informações fundamentais sobre a composição do oceano de Europa mesmo antes de realizarmos perfurações no gelo para obter uma visão completa.”
Vale observar que, embora as observações não tenham relatado a presença de plumas de água, como as vistas em Encélado, a lua gelada de Saturno, isso não exclui a possibilidade de que Europa também possa apresentar tal atividade. Missões futuras, como a JUICE da Agência Espacial Europeia e a Europa Clipper da NASA, serão cruciais para fornecer mais informações sobre esse mundo fascinante. As novas descobertas agora influenciarão diretamente o que essas missões buscarão explorar.
O estudo completo foi publicado na revista Science em dois artigos (artigo 1 e artigo 2).
