Guerra de Trump com Irã rende US$ 30 milhões por hora a gigantes do petróleo
Por Sandro Felix
Publicado em 16/04/26 às 07:38
A escalada militar liderada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Irã vem produzindo efeitos que vão além do campo geopolítico. Um levantamento recente indica que o conflito tem impulsionado lucros extraordinários para a indústria global de combustíveis fósseis, em meio à disparada dos preços do petróleo.
De acordo com análise publicada pelo jornal The Guardian, as 100 maiores empresas de petróleo e gás do mundo acumulam ganhos adicionais estimados em US$ 30 milhões por hora desde o início da ofensiva, lançada no fim de fevereiro sem autorização do Congresso norte-americano.
No primeiro mês de conflito, o chamado “Big Oil” registrou US$ 23 bilhões em lucros inesperados. A projeção é de que esse montante alcance US$ 234 bilhões até o final do ano, caso o preço do barril se mantenha na faixa dos US$ 100.
Entre os maiores beneficiados estão a estatal saudita Saudi Aramco, com previsão de US$ 25,5 bilhões em ganhos extras; a Kuwait Petroleum Corp., com US$ 12,1 bilhões; e a americana ExxonMobil, que pode somar US$ 11 bilhões adicionais.
Impacto recai sobre consumidores e pressiona governos
O aumento expressivo nos lucros do setor contrasta com o peso crescente sobre consumidores e economias nacionais. Segundo a análise, os ganhos extraordinários vêm diretamente do bolso da população, que enfrenta preços mais altos para abastecer veículos e arcar com contas de energia, além de custos maiores para empresas.
Diversos países adotaram medidas emergenciais para conter o impacto inflacionário dos combustíveis. Nações Austrália, África do Sul, Itália, Zâmbia, além do nosso país, reduziram impostos sobre combustíveis, o que, por outro lado, compromete a arrecadação destinada a serviços públicos.
O estudo foi conduzido pela organização ambiental Global Witness, com base em dados da consultoria Rystad Energy. Para Patrick Galey, responsável por investigações da entidade, os números evidenciam a vulnerabilidade estrutural da economia global diante da dependência de combustíveis fósseis.
Momentos de crise global continuam se traduzindo em lucros recordes para as gigantes do petróleo, enquanto a população paga a conta, afirmou Galey.
Enquanto governos não reduzirem essa dependência, o poder de compra das pessoas seguirá refém de decisões políticas e conflitos internacionais.
Diante desse cenário, organizações ambientais intensificam a pressão por medidas fiscais específicas. A 350.org voltou a defender a criação de um imposto sobre lucros extraordinários das petroleiras durante o conflito, com a proposta de direcionar os recursos para investimentos em energia renovável.
Especialistas também apontam a medida como estratégica para acelerar a transição energética. Beth Walker, analista do centro de políticas climáticas E3G, argumenta que tributar esses ganhos pode reduzir a dependência de fontes poluentes.
Governos deveriam usar esses impostos para acelerar a transição para energia limpa, em vez de aprofundar a dependência de combustíveis fósseis, afirmou.
O debate ocorre em meio a um cenário de incerteza geopolítica e pressões econômicas, no qual decisões políticas e conflitos armados continuam a influenciar diretamente o custo da energia e o equilíbrio das economias globais.