Cientistas cozinharam e comeram bisão pré-histórico de 50 mil anos

Cientistas cozinharam e comeram bisão pré-histórico de 50 mil anos

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Publicado em 03/10/25 às 16:49

O bisão conhecido como Blue Babe viveu duas vezes. A primeira, há cerca de 50 mil anos, quando vagava pelas estepes geladas do Alasca durante a Idade do Gelo, até ser abatido por um leão pré-histórico. A segunda, milênios depois, quando seu corpo perfeitamente preservado foi encontrado no permafrost por garimpeiros de ouro em 1979 e entregue à ciência como uma raridade sem precedentes.

Trata-se do único exemplar conhecido de Bison priscus — espécie extinta de bisão das estepes — recuperado do gelo eterno. O animal ganhou o apelido de Blue Babe pela coloração azulada de sua carcaça, resultado de reações químicas durante a fossilização. Os cientistas o estudaram exaustivamente, mas também protagonizaram um episódio insólito: transformaram parte de seu pescoço em um ensopado servido em jantar comemorativo.

Blue BabeCarcaça fossilizada do bisão pré-histórico batizado de Blue Babe / Imagem: Reprodução

O banquete histórico ocorreu em 1984 na casa do paleontólogo Dale Guthrie, responsável pela recuperação do espécime. Para marcar o trabalho de taxidermia do colega Eirik Granqvist, Guthrie decidiu cozinhar um pedaço do músculo cervical do bisão em caldo com legumes e temperos.

Tivemos Blue Babe no jantar. A carne estava bem envelhecida, um pouco dura, mas deu ao ensopado um forte aroma do Pleistoceno. Ninguém ousaria recusar, registrou o pesquisador.

Na época, as primeiras análises apontaram que os restos tinham cerca de 36 mil anos, mas estudos mais recentes ajustaram a idade para 50 mil. O rápido congelamento após a morte preservou tecidos musculares em condições surpreendentes, comparáveis à carne-seca, além de gordura e medula óssea. Fragmentos de dentes encontrados no pescoço confirmaram que o animal foi abatido por leões.

Embora o conteúdo abdominal estivesse deteriorado desde antes do congelamento, o tecido do pescoço manteve-se relativamente fresco.

Quando descongelado, liberou um aroma inconfundível de carne bovina, misturado a um leve cheiro de terra e cogumelos, descreveu Guthrie.

Cerca de uma dúzia de convidados participaram da refeição. Apesar do ceticismo que o prato poderia gerar, nenhum deles sofreu efeitos adversos. Pelo contrário: o sabor, segundo relatos, foi considerado “delicioso”.

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