China supera marca de 2 milhões de robôs em fábricas e amplia liderança mundial na automação industrial

Publicado em 28/09/25 às 07:36

A China consolidou sua posição como líder mundial na automação industrial em 2023, ao atingir a marca de mais de 2 milhões de robôs em operação em suas fábricas. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (26) pela Federação Internacional de Robótica (IFR, na sigla em inglês), entidade sem fins lucrativos que reúne fabricantes do setor.

Segundo o relatório, apenas no ano passado foram instalados quase 300 mil novos robôs em fábricas chinesas, mais do que a soma de todos os outros países juntos. Para efeito de comparação, os Estados Unidos registraram a instalação de 34 mil novas máquinas, enquanto o Japão contabilizou 44 mil.

Uma linha de montagem de veículos robóticos em Hefei, China / Imagem: The New York times

A presença cada vez maior dessas tecnologias não se restringe ao uso. A China também vem fortalecendo sua capacidade de produzir robôs industriais, impulsionada por investimentos públicos e diretrizes governamentais que miram a liderança em setores de alta tecnologia, como veículos elétricos e inteligência artificial (IA). Pela primeira vez, em 2023, a maior parte das unidades instaladas no país foi fabricada domesticamente: quase três quintos do total.

Isso não é coincidência. Foram muitos anos de investimento das empresas chinesas, afirmou Lian Jye Su, analista-chefe da consultoria Omdia.

Os robôs desempenham funções variadas nas linhas de produção, indo desde soldar peças automotivas até organizar caixas em esteiras transportadoras. Com a incorporação de IA, essas máquinas estão ajudando as fábricas a se tornarem mais eficientes, ainda que em alguns casos reduzindo a necessidade de mão de obra humana ou transformando os papéis dos trabalhadores.

Carrinhos robóticos para transportar cargas pesadas nas linhas de montagem da fábrica de automóveis Zeekr em Ningbo, China / Imagem: The New York times

A estratégia de automação integra um projeto mais amplo da China para manter sua condição de “fábrica do mundo”. Desde 2017, o país instala mais de 150 mil robôs por ano, em paralelo ao crescimento exponencial da produção industrial. Hoje, as fábricas chinesas são responsáveis por quase um terço de todos os bens manufaturados no planeta — mais do que Estados Unidos, Alemanha, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido somados.

Enquanto isso, outras potências industriais enfrentaram retração. Em 2023, a instalação de robôs caiu em quatro dos países que tradicionalmente lideram o setor: Japão, Estados Unidos, Coreia do Sul e Alemanha.

Para especialistas, o avanço da China no setor reflete um movimento de longo prazo, em que o país aposta na integração de robótica e inteligência artificial como motores de produtividade e competitividade global.