
Arqueólogos descobrem escultura de sapo de 3.500 anos no Peru pertencente a uma civilização tão antiga quanto a Egípcia
Por Sandro Felix
Publicado em 15/09/25 às 16:37
Um achado recente no vale de Huaura, ao norte de Lima, no Peru, voltou a colocar a civilização Caral no centro das discussões arqueológicas. Pesquisadores encontraram uma pequena escultura de argila, datada de mais de 3.500 anos, que representa dois sapos unidos pelas patas traseiras. Longe de ser apenas um adorno, o objeto reforça o papel simbólico e religioso desempenhado por esses animais em uma das culturas mais antigas da América do Sul.

A civilização Caral, considerada a primeira grande sociedade organizada do continente, floresceu na costa central peruana entre 3000 e 1800 a.C., sendo contemporânea de outras civilizações como Egito, Mesopotâmia, Índia e China. Diferentemente dessas, porém, Caral se desenvolveu de maneira isolada, sem registros de contato com outros povos. O novo achado reforça a ideia de que essa cultura estruturou um complexo sistema de crenças e organização social de forma autônoma.
O simbolismo dos sapos é particularmente revelador para os especialistas. Nessas comunidades agrícolas, esses animais eram associados à água e à fertilidade — elementos vitais em um ambiente em que a sobrevivência dependia diretamente do sucesso das colheitas. Pesquisadores acreditam que a escultura tenha sido usada em rituais para invocar a chuva ou celebrar ciclos de abundância, o que confirma a estreita ligação entre religião e agricultura no cotidiano caralino.

O artefato foi encontrado no sítio arqueológico de Vichama, que há quase duas décadas vem sendo explorado por equipes de pesquisa. Até agora, já foram identificadas pelo menos 28 estruturas, incluindo praças cerimoniais, residências e edifícios públicos. Entre os achados mais notáveis estão maquetes em miniatura de construções, indícios de que os caralinos praticavam algum tipo de planejamento urbano. Esses elementos ajudam a compreender como uma sociedade tão antiga foi capaz de organizar a vida comunitária e administrar seus recursos de forma eficiente.
Para a arqueóloga Ruth Shady, diretora da Zona Arqueológica Caral, o valor dessas descobertas ultrapassa a dimensão histórica.
As culturas antigas também enfrentaram crises ambientais e encontraram formas de se adaptar. Suas expressões artísticas são um lembrete de que a relação com a natureza sempre foi crucial para o desenvolvimento humano, destacou.
Embora a civilização Caral tenha desaparecido, seu legado permaneceu presente em culturas posteriores, como a dos mochicas e dos incas, que herdaram conhecimentos agrícolas e sistemas de organização social. Cada novo achado, como a escultura dos sapos, amplia a compreensão sobre o pensamento simbólico desses povos e sua capacidade de enfrentar os desafios de um ambiente em constante transformação.
