Coelhos com “chifres” assustam moradores nos EUA

Coelhos com “chifres” assustam moradores nos EUA

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Publicado em 15/08/25 às 16:08

Um fenômeno inusitado e perturbador tem chamado a atenção dos moradores da cidade de Fort Collins, no estado americano do Colorado. Coelhos silvestres com deformidades bizarras, semelhantes a chifres negros ou tentáculos ao redor da boca, vêm sendo avistados com frequência nos arredores da cidade. As imagens desses animais, que parecem saídos de um filme de terror ou de ficção científica, têm causado espanto, mas a explicação é totalmente científica: trata-se de uma infecção viral conhecida como vírus do papiloma de Shope (SPV, na sigla em inglês).

Segundo especialistas do órgão ambiental Colorado Parks and Wildlife, o SPV é um vírus parente do papilomavírus humano (HPV) e afeta principalmente coelhos silvestres. A infecção provoca o crescimentos de queratina na pele dos animais, que podem assumir a forma de protuberâncias que lembram chifres ou espinhos. Embora cause impacto visual, a doença não representa risco para seres humanos nem para outros animais domésticos, conforme garantem os biólogos.

O vírus é transmitido principalmente pela picada de mosquitos e carrapatos infectados, embora também possa ocorrer por contato direto com fluidos corporais de coelhos contaminados. Em coelhos selvagens, a doença pode se manifestar de forma crônica, com os animais convivendo com as lesões por anos. Em casos extremos, quando os crescimentos se tornam excessivos, eles podem prejudicar a visão, a audição ou a alimentação, levando o animal à morte por inanição. Além disso, algumas lesões podem evoluir para tumores malignos.

Já nos coelhos domésticos, casos de infecção são raros. E, quando detectados precocemente, os crescimentos podem ser removidos cirurgicamente, o que aumenta as chances de recuperação do animal.

Apesar de parecerem criaturas de outro mundo, esses coelhos deformados podem ter sido, segundo estudiosos, a inspiração para uma figura curiosa do folclore norte-americano: o jackalope, um suposto híbrido entre lebre e antílope. A lenda ganhou popularidade nos anos 1930, quando dois irmãos taxidermistas do estado de Wyoming, Ralph e Doug Herrick, começaram a vender coelhos empalhados com chifres de veado. Pouco depois, em 1934, a descoberta do SPV ofereceu uma explicação plausível para o surgimento desse mito: o próprio vírus seria responsável pelas formações que se assemelham a chifres.

Além do folclore, o vírus do papiloma de Shope desempenhou um papel importante na medicina. Seu estudo nas primeiras décadas do século XX foi um dos primeiros a demonstrar que certos vírus podem causar câncer, um avanço crucial para o campo da oncologia. Desde então, o SPV tem sido usado como modelo experimental para o estudo do HPV humano e no desenvolvimento de vacinas preventivas contra tipos de câncer relacionados.

Autoridades locais orientam a população a não tocar em coelhos com deformações visíveis, mesmo que pareçam dóceis, e a relatar avistamentos ao departamento ambiental. “É importante que a comunidade saiba que esses animais não são perigosos, mas devemos evitar o contato direto para prevenir possíveis infecções secundárias ou complicações com outros patógenos”, afirmou um porta-voz do Colorado Parks and Wildlife.

coelho com hpv

A aparição desses coelhos com aparência macabra é um lembrete de que a natureza, mesmo em sua forma mais estranha, tem sempre uma explicação científica por trás — e, muitas vezes, uma conexão inesperada com a história da ciência e da cultura popular.

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