O que aconteceu com Percy Fawcett? O explorador que foi em busca da lendária “Cidade Perdida de Z”

O que aconteceu com Percy Fawcett? O explorador que foi em busca da lendária “Cidade Perdida de Z”

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Publicado em 05/08/25 às 16:55

Há exatamente cem anos, o explorador britânico Percy Fawcett desaparecia misteriosamente nas profundezas da floresta amazônica durante sua busca pela enigmática “Cidade Perdida de Z”. Inspirado pelo enigmático “Manuscrito 512” e lendas indígenas como a de El Dorado, Fawcett acreditava firmemente na existência de uma civilização avançada oculta sob a densa vegetação da Amazônia. No entanto, seu sonho terminou em silêncio em 1925, quando partiu com seu filho Jack e o amigo Raleigh Rimmell rumo ao Mato Grosso – e nunca mais foram vistos.

Apesar dos alertas e dos perigos conhecidos da selva, incluindo doenças tropicais, tribos hostis e o terreno inóspito, Fawcett seguiu com sua última expedição a partir de um ponto que nomeou como “Dead Horse Camp”. Em sua última carta à família, relatou condições duras, mas mantinha o otimismo: “Você não precisa temer nenhum fracasso…”.

Anos depois, buscas foram realizadas sem sucesso. Restos mortais atribuídos ao grupo foram encontrados em 1952, mas análises científicas desmentiram sua autenticidade. Até hoje, a hipótese mais aceita é que tenham sucumbido a algum dos inúmeros perigos da região.

Percy FawcettPercy Fawcett / Imagem: Reprodução

Percy Fawcett, nascido em 1867, serviu no Exército Real e se destacou como cartógrafo da Sociedade Geográfica Real de Londres. Desde sua primeira expedição em 1906, demonstrou fascínio pela cultura indígena e passou a se interessar por relatos de civilizações antigas que, segundo ele, haviam prosperado na Amazônia muito antes do império egípcio.

Um detalhe curioso de suas buscas foi o uso de métodos considerados místicos. Fawcett acreditava que um artefato de basalto negro, com símbolos enigmáticos, seria a chave para encontrar a Cidade Z. Um psicômetra – pessoa que afirma captar informações espirituais de objetos – descreveu templos colossais e rituais antigos, reforçando a convicção de Fawcett de que estava no caminho certo.

Percy Fawcett e seu grupoPercy Fawcett e seu grupo em busca da lendária Cidade Perdida de Z / Imagem: Reprodução

Durante muito tempo, a ideia de cidades antigas na Amazônia foi descartada pelo eurocentrismo acadêmico, que via os povos indígenas como incapazes de desenvolver culturas complexas. Porém, descobertas recentes estão transformando essa narrativa. Em 2022, pesquisadores utilizando a tecnologia LiDAR revelaram vastas paisagens urbanas pré-colombianas nos Llanos de Moxos, na Bolívia. Essas estruturas incluem pirâmides de 22 metros de altura, canais e terraços artificiais, associadas à cultura Casarabe, ativa entre os anos 500 e 1400 d.C.

As escavações indicam uma forma de urbanização de baixa densidade, diferente das cidades compactas do Velho Mundo, mas altamente organizadas. Os vestígios se estendem por mais de 4.500 km², evidenciando que a Amazônia já abrigou sociedades complexas e engenhosas, e que a floresta não era intocada, mas moldada por milhares de anos de ocupação humana.

cidade perdida na amazoniaRestos de uma antiga cidade perdida na Amazônia / Imagem: Reprodução

Outro indício da engenhosidade indígena é a chamada terra preta, um solo fértil criado artificialmente por meio da mistura de carvão vegetal, matéria orgânica e fragmentos cerâmicos. Algumas amostras têm até 5.000 anos, e revelam que esses povos já praticavam agricultura sustentável em larga escala.

lendária cidade perdida de zTerra preta, com pedaços de carvão indicados pelas setas brancas / Imagem: Reprodução

Infelizmente, o que antes era preservado hoje corre risco. O avanço do garimpo ilegal e do desmatamento para criação de gado ameaça o equilíbrio ecológico da floresta e a sobrevivência dos saberes indígenas. Segundo o jornalista Dom Phillips, autor do livro “How To Save The Amazon”, a salvação da floresta depende justamente do conhecimento tradicional desses povos, que há milênios convivem em harmonia com o ecossistema.

No fim das contas, embora Fawcett nunca tenha encontrado sua mítica Cidade de Z, os avanços arqueológicos mostram que ele talvez estivesse certo o tempo todo – só procurava o tipo errado de tesouro.

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