Afinal, de onde vem o petróleo? Especialistas esclarecem equívoco histórico

Afinal, de onde vem o petróleo? Especialistas esclarecem equívoco histórico

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Publicado em 29/07/25 às 17:01

Durante décadas, muitas pessoas acreditaram — e ainda acreditam — que o petróleo é formado a partir da decomposição de dinossauros. A imagem de um T. rex se transformando, com o tempo, em combustível para veículos é vívida e difundida, mas completamente equivocada. De acordo com especialistas, a verdadeira origem do petróleo está em organismos muito menores e menos imponentes: algas e plânctons marinhos.

Segundo o geólogo Reidar Müller, da Universidade de Oslo, o equívoco persiste por motivos culturais e falta de informação. “Por alguma razão estranha, a ideia de que o petróleo vem de dinossauros permanece na cabeça de muita gente”, explicou. Na realidade, o que se transforma em petróleo são trilhões de organismos microscópicos que habitaram os oceanos há dezenas a centenas de milhões de anos.

Esses organismos, ao morrerem, afundavam até o fundo do mar, onde se acumulavam e eram gradualmente cobertos por camadas de sedimentos. Sob condições específicas de alta pressão e baixa presença de oxigênio, essa biomassa passou por um longo processo de transformação, sendo “cozida” por milhões de anos até se converter no óleo negro e viscoso que é extraído atualmente.

Esse petróleo, ao se formar, tende a migrar por entre as rochas subterrâneas até encontrar formações rochosas impermeáveis, onde fica retido. É nesses bolsões que as companhias de energia perfuram e coletam o recurso fóssil que move o mundo moderno. Sem essas barreiras naturais, o óleo acabaria vazando lentamente para a superfície.

petróleo

Embora seja possível que alguns dinossauros marinhos tenham afundado no oceano após a morte, é extremamente improvável que tenham contribuído para a formação de petróleo. Isso porque, em geral, cadáveres maiores são consumidos rapidamente por outros organismos antes que possam ser soterrados em um ambiente sem oxigênio — condição essencial para a conversão em petróleo.

Essa explicação científica também ajuda a responder por que, se os dinossauros realmente existiram, não encontramos fósseis em excesso por toda parte. Na maioria dos casos, seus corpos se decompuseram naturalmente ou foram devorados por outros animais, não restando muito além de ossos, que por sua vez só são preservados em situações geológicas muito específicas.

Portanto, ao abastecer o carro, não se trata de “colocar dinossauros no tanque”, como diz o imaginário popular. Na verdade, é o resultado de um processo geológico extraordinário e milenar, alimentado pelos organismos mais simples que um dia flutuaram no antigo mar da Terra.

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