
China avança na corrida dos robôs humanoides com modelo de US$ 5.900 que realiza acrobacias e interage com humanos
Por Sandro Felix
Publicado em 28/07/25 às 16:19
Enquanto empresas de tecnologia dos Estados Unidos ainda delineiam suas estratégias para um futuro robótico, a China dá passos largos rumo à popularização dos robôs humanoides. A Unitree Robotics, empresa sediada em Hangzhou, na província de Zhejiang, lançou o R1, um robô humanoide de última geração com preço acessível de US$ 5.900 — menos até que o compacto elétrico MG Comet EV. A novidade representa um movimento ousado da empresa chinesa para democratizar o uso de robôs humanoides.
Em vídeo divulgado na plataforma X (antigo Twitter), o R1 impressiona ao executar movimentos complexos como estrela lateral, caminhada com as mãos, corrida em declive, além de se deitar e levantar sozinho. Essas demonstrações evidenciam o nível avançado de engenharia embarcada no robô, que pesa cerca de 25 kg, mede aproximadamente 1,20 metro de altura e conta com um modelo multimodal de inteligência artificial para executar tarefas complexas.
Unitree Introducing | Unitree R1 Intelligent Companion Price from $5900
Join us to develop/customize, ultra-lightweight at approximately 25kg, integrated with a Large Multimodal Model for voice and images, let’s accelerate the advent of the agent era!🥰 pic.twitter.com/Q5pmkfFZZa— Unitree (@UnitreeRobotics) July 25, 2025
O R1 também é equipado com uma câmera de visão ultra-ampla e um conjunto de quatro microfones, o que lhe permite reconhecer vozes e imagens com mais precisão. Em termos de conectividade, o robô oferece suporte para Wi-Fi 6 e Bluetooth 5.2, garantindo integração eficiente com dispositivos inteligentes.
A Unitree Robotics já havia apresentado anteriormente os modelos G1 e H1, robôs maiores e mais caros. O G1, com 1,30 metro de altura e 35 kg, parte de 99.000 yuans (cerca de US$ 13.838), enquanto o H1, com 1,80 metro e 47 kg, pode chegar a 650.000 yuans (cerca de US$ 90.858). A chegada do R1 ao mercado representa, portanto, um salto em termos de acessibilidade e ambição para a empresa.
O cenário chinês abriga centenas de empresas dedicadas ao desenvolvimento de robôs avançados, contrastando com o Brasil, onde o setor ainda está engatinhando. A competição direta com empresas americanas está cada vez mais evidente. No mês passado, por exemplo, a comunidade de inteligência artificial Hugging Face anunciou seu próprio robô humanoide de código aberto, o HopeJR, por apenas US$ 3.000 — embora o foco ainda esteja na experimentação e no desenvolvimento colaborativo.
Nos Estados Unidos, o bilionário Elon Musk já manifestou interesse em produzir robôs humanoides. Seu projeto Tesla Optimus, ainda em fase de desenvolvimento, pode ter preço inferior a US$ 20.000, caso a produção atinja um milhão de unidades por ano. Musk afirmou que o objetivo é criar um robô humanoide útil “o mais rápido possível” e que, inicialmente, ele será usado nas fábricas da Tesla.

Apesar de a presença de robôs em fábricas já ser uma realidade, sua aplicação em ambientes domésticos e comerciais, como restaurantes, ainda é limitada a modelos mais simples, geralmente com rodas. Tentativas como a do Amazon Astro — um tablet com câmeras sobre rodas — fracassaram em conquistar o mercado.
O avanço de robôs como o R1 sinaliza uma mudança significativa nesse panorama. Equipado com tecnologias de ponta, preço competitivo e capacidade de realizar tarefas complexas, o novo robô da Unitree reforça a posição da China na liderança da corrida tecnológica por humanoides prontos para o convívio humano.
