
Pressionado e desesperado, Zuckerberg abre os cofres para reerguer sua inteligência artificial
Por Sandro Felix
Publicado em 12/06/25 às 16:00
Em uma tentativa ousada de retomar o protagonismo na corrida global da inteligência artificial (IA), Mark Zuckerberg, CEO da Meta, ativou pessoalmente uma nova ofensiva corporativa que já é considerada a mais ambiciosa da empresa desde o fracasso com o metaverso. Segundo o jornal norte-americano The New York Times, a Meta pretende contratar até 50 dos principais pesquisadores do setor de IA, oferecendo pacotes de remuneração que variam entre 10 e 100 milhões de dólares por profissional.
Esses pacotes não se tratam de pagamentos diretos, mas de um modelo baseado majoritariamente em ações da empresa (RSUs), distribuídas trimestralmente ao longo de quatro anos. A oferta representa um patamar de remuneração significativamente superior aos já elevados salários de mercado, como os US$ 2 milhões anuais anteriormente oferecidos por outras gigantes do setor.
O objetivo de Zuckerberg é claro: formar um laboratório de superinteligência que posicione a Meta de volta no topo da inovação tecnológica. A iniciativa vem após diversos reveses. Os modelos de linguagem LLaMA da Meta ficaram atrás nos principais benchmarks, e acusações de manipulação de testes de desempenho afetaram ainda mais a reputação da companhia. A saída de figuras-chave, como Joelle Pineau, ex-diretora de pesquisa em IA, agravou o cenário.
Determinada a não repetir os erros do passado, especialmente o desgaste com o projeto do metaverso, a Meta agora aposta alto. Além da busca por talentos individuais, Zuckerberg teria colocado sobre a mesa um investimento de até US$ 15 bilhões para adquirir aproximadamente metade da Scale AI, uma startup de destaque no fornecimento de dados para o treinamento de modelos de IA. A negociação incluiria a entrada de Alexandr Wang, CEO da Scale e amigo pessoal de Zuckerberg, nas decisões estratégicas da nova fase da empresa.
Enquanto concorrentes como OpenAI, Google e Microsoft seguem avançando com projetos robustos, a Meta aposta todas as fichas em seu novo plano. A questão que paira no ar é se o dinheiro, por si só, será suficiente para alterar o curso e garantir à empresa um lugar de liderança no futuro da superinteligência artificial.

