
Novo estudo desvenda explicação natural para travessia bíblica do Mar Vermelho
Por Sandro Felix
Publicado em 04/06/25 às 16:05
O que por séculos foi interpretado como um milagre bíblico pode ter uma explicação científica. Pesquisadores sugerem que a famosa travessia do Mar Vermelho por Moisés, descrita no livro do Êxodo, poderia ter ocorrido graças a condições naturais específicas envolvendo vento, marés e geografia.
O oceanógrafo Carl Drews e sua equipe, do National Center for Atmospheric Research, desenvolveram simulações computadorizadas que mostram como ventos intensos, com cerca de 100 km/h, poderiam afastar temporariamente as águas de regiões rasas, abrindo um caminho seco. Quando os ventos cessassem, a água retornaria abruptamente, o que explicaria a destruição do exército egípcio.
Já o professor Bruce Parker, ex-diretor científico da NOAA, defende que Moisés poderia conhecer os ciclos de maré da região. Segundo ele, em certas partes do Golfo de Suez, as marés podem expor o leito marinho durante algumas horas, o que permitiria uma travessia a pé no momento certo.
Outras teorias apontam para um local diferente do tradicional Mar Vermelho. O Lago de Tannis, no delta do Nilo, é citado como uma possibilidade. Suas águas rasas e a presença de juncos combinam com traduções alternativas da expressão hebraica “Yam Suph”, que pode significar “Mar de Juncos”. Ventos fortes nessa área também poderiam criar um corredor temporário de terra firme.
O caso não é inédito. Em 1798, o próprio Napoleão Bonaparte e seu exército cruzaram o Golfo de Suez durante a maré baixa, mas quase se afogaram no retorno com a subida repentina das águas, reforçando a plausibilidade de um evento similar em tempos antigos.
Apesar das explicações científicas, os estudiosos não descartam o caráter extraordinário do episódio. Para Carl Drews, a combinação rara e precisa de fatores naturais ainda pode ser vista como uma forma de intervenção divina, agindo por meios da própria natureza.

