Parasitologistas descobrem vermes marinhos preservados em latas de salmão com mais de 40 anos

Publicado em 18/05/25 às 06:47

Um grupo de cientistas da Universidade de Washington fez uma descoberta inusitada e reveladora no campo da ecologia marinha. Ao abrirem latas de salmão processadas entre os anos de 1979 e 2021, os pesquisadores encontraram parasitas marinhos ainda perfeitamente preservados, mesmo em conservas com mais de quatro décadas de idade.

O estudo, publicado na revista científica Ecology and Evolution, analisou 178 latas contendo quatro espécies diferentes de salmão — chum, rosado, coho e vermelho — provenientes do Golfo do Alasca e da Baía de Bristol. O destaque da pesquisa foi a identificação de nematoides do grupo dos anisákidos, parasitas que fazem parte de uma complexa cadeia alimentar marinha e que geralmente passam do krill para peixes, como o salmão, e destes para mamíferos marinhos, como focas e leões-marinhos.

Apesar de à primeira vista parecerem um sinal preocupante, os cientistas enxergaram esses parasitas como indicativos de um ambiente marinho saudável. Segundo a bióloga Chelsea Wood, coautora da pesquisa, “a presença dos anisákidos é uma evidência de que o peixe em conserva veio de um ecossistema equilibrado”. Isso porque, para que o ciclo de vida desses parasitas seja completado, é necessária a existência estável de diversas espécies no ambiente.

Os pesquisadores também observaram tendências temporais nos dados coletados. Em espécies como o salmão chum e o rosado, o número de parasitas aumentou ao longo dos anos, ao passo que no salmão coho e no vermelho, esse padrão não se repetiu. A variação aponta para possíveis diferenças nos ecossistemas marinhos onde cada espécie foi pescada e nas relações alimentares entre os organismos envolvidos.

De acordo com John Mastick, outro autor do estudo, “observar um aumento ao longo do tempo indica que os parasitas encontraram os hospedeiros adequados e conseguiram completar seu ciclo de vida”. Na prática, isso reforça a ideia de que os ambientes onde esses peixes foram capturados mantiveram uma boa saúde ecológica ao longo das décadas.

Embora o anisakis seja conhecido por causar reações adversas em humanos — como problemas gastrointestinais e alergias —, o risco é inexistente no caso das conservas. O processo de esterilização térmica utilizado na fabricação das latas é eficaz para eliminar qualquer perigo ao consumo humano. Assim, o que poderia parecer uma ameaça se revela, na verdade, como uma cápsula do tempo ecológica, oferecendo uma rara oportunidade de estudar a história dos oceanos a partir do conteúdo de uma lata de salmão.