Google DeepMind paga profissionais de IA para ficarem inativos e longe da concorrência, dizem ex-funcionários

Google DeepMind paga profissionais de IA para ficarem inativos e longe da concorrência, dizem ex-funcionários

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Publicado em 09/04/25 às 12:36

A gigante da inteligência artificial DeepMind, subsidiária do Google no Reino Unido, está sendo alvo de duras críticas após denúncias de que vem aplicando cláusulas de não concorrência rigorosas e períodos de aviso prévio prolongados para evitar que seus talentos em IA migrem para empresas concorrentes. A prática, comum em setores de alta competitividade, tem gerado polêmica ao ser aplicada de forma intensa em um momento de efervescência no desenvolvimento de tecnologias baseadas em inteligência artificial.

O caso ganhou destaque após declarações públicas de Nando de Freitas, ex-diretor da DeepMind e atual vice-presidente de IA da Microsoft. Em uma publicação na rede social X, ele expôs a insatisfação de diversos profissionais da área que o procuram “desesperados” para tentar romper os contratos restritivos. “Toda semana, um de vocês me procura em desespero para perguntar como escapar desses avisos prévios e cláusulas de não concorrência”, escreveu. De Freitas classificou os acordos como um verdadeiro “abuso de poder” e alertou que os profissionais deveriam pensar duas vezes antes de assinar tais compromissos.

Acordos de até um ano: barreira invisível para talentos em IA

O impacto das cláusulas é especialmente duro para pesquisadores e engenheiros que atuam em projetos de ponta, como os modelos de linguagem generativa Gemini, desenvolvidos pela própria DeepMind. De acordo com relatos colhidos pelo site Business Insider, funcionários mais seniores podem ser impedidos de atuar em concorrentes por até um ano. Já colaboradores em cargos menos estratégicos enfrentam restrições de cerca de seis meses. Durante esse período, muitos ficam em “garden leave” — afastados de suas funções, recebendo salário integral, mas proibidos de exercer qualquer outra atividade profissional.

Embora a prática seja legal no Reino Unido — desde que considerada razoável para proteger os interesses comerciais da empresa —, críticos apontam que essas medidas estão desalinhadas com o ritmo acelerado da inovação em IA. “Quem vai esperar um ano para contratar alguém em IA? Isso é uma eternidade nesse setor”, disse um ex-funcionário da DeepMind, em anonimato.

Enquanto nos Estados Unidos, especialmente na Califórnia, cláusulas de não concorrência são proibidas, no Reino Unido elas continuam válidas, o que vem motivando até mesmo a migração de talentos para regiões onde esses contratos não têm validade legal.

restrição para trabalhar

O Google, por sua vez, defende suas políticas de contratação. “Nossos contratos de trabalho estão em conformidade com os padrões do mercado”, disse um porta-voz da empresa ao Business Insider. “Dado o caráter sensível do nosso trabalho, utilizamos cláusulas de não concorrência de forma seletiva para proteger nossos interesses legítimos.”

Ainda assim, as vozes dissonantes ganham força dentro e fora da empresa. Para muitos especialistas, o modelo adotado pela DeepMind lembra mais os contratos agressivos do setor financeiro do que a cultura de inovação do Vale do Silício.

Parece que estamos vivendo uma corrida espacial moderna. Seis meses ou um ano à frente no desenvolvimento de IA podem mudar o jogo, afirmou um ex-funcionário do Google.

Nando de Freitas, ao final de sua denúncia, encorajou os colaboradores da DeepMind a dialogarem com líderes internos como o CTO Koray Kavukcuoglu e o diretor de pesquisa Douglas Eck, que, segundo ele, estariam abertos às preocupações dos funcionários.

Não assinem algo que limite sua liberdade de crescer e contribuir em outras frentes, alertou.

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