Funcionários da CPTM anunciam greve para o dia 25 de março contra privatização de linhas

Funcionários da CPTM anunciam greve para o dia 25 de março contra privatização de linhas

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Publicado em 21/03/25 às 16:10

Os trabalhadores da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) decidiram paralisar suas atividades a partir da madrugada de terça-feira (25) para quarta-feira (26). A decisão foi tomada em assembleia na noite de quinta-feira (20) como forma de protesto contra a concessão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade à iniciativa privada.

O movimento grevista deve impactar o funcionamento de cinco linhas da CPTM: além das três envolvidas na concessão, também serão afetadas as linhas 7-Rubi e 10-Turquesa. O sindicato dos ferroviários alertou que a greve poderá se prolongar indefinidamente caso haja retaliações ou demissões, e condiciona o fim da paralisação à suspensão oficial do leilão pelo governo estadual.

Mais de 4,6 milhões de pessoas residem nas áreas atendidas pelas linhas em questão, incluindo bairros da zona leste de São Paulo e municípios como Guarulhos, Suzano e Mogi das Cruzes. O impacto no transporte público pode ser significativo durante o período da greve.

CPTM

Privatização prevista para próxima semana

Está agendado para os próximos dias o leilão de concessão das três linhas da CPTM, como parte de um projeto do governo de São Paulo que visa atrair R$ 14,3 bilhões em investimentos ao longo de 25 anos. A proposta inclui expansão das linhas, construção de novas estações e melhorias em infraestrutura, como a modernização de sistemas e redução no tempo de espera.

Dentre as principais intervenções previstas estão a extensão da linha 11-Coral em 4 km, com quatro novas estações; ampliação da linha 12-Safira em 2,7 km, com duas estações adicionais; e a expansão da linha 13-Jade em 15,6 km, que deve alcançar os bairros de Bonsucesso e Gabriela Mistral, com seis novas paradas. O plano também prevê integração com a linha 2-Verde do Metrô e a revitalização de 24 estações existentes.

Além da greve, os ferroviários planejam um ato público na manhã do dia 25, em frente à B3, no centro de São Paulo, local onde o leilão deverá ocorrer. Foi criada uma comissão de negociação para intermediar o diálogo com o governo estadual.

Preocupações com o modelo de concessão

A resistência à privatização ganhou força após diversos incidentes registrados nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, atualmente operadas pela concessionária ViaMobilidade. Essas falhas motivaram uma investigação do Ministério Público de São Paulo, alimentando críticas sobre a eficácia do modelo de concessão adotado.

Enquanto o governo paulista argumenta que a iniciativa privada pode trazer mais eficiência e investimentos ao sistema ferroviário, os trabalhadores e parte da população demonstram preocupação com a qualidade dos serviços e possíveis demissões. Três grupos empresariais já demonstraram interesse em disputar o leilão, segundo a Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI).

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