
Antivírus Kaspersky será banido dos EUA por ser uma ameaça à segurança nacional
Por Sandro Felix
Publicado em 21/06/24 às 15:57
A administração Biden anunciou planos para proibir a venda do software antivírus da Kaspersky Lab nos Estados Unidos. A decisão, revelada nesta quinta-feira (20), decorre de crescentes preocupações sobre a potencial influência da Rússia sobre a empresa e os riscos de segurança que isso poderia representar para os usuários americanos.
A Secretária de Comércio, Gina Raimondo, não mediu palavras ao explicar o motivo dessa medida durante uma coletiva de imprensa.
A Rússia demonstrou que tem a capacidade e a intenção de explorar empresas russas como a Kaspersky para coletar e usar de forma prejudicial as informações pessoais dos americanos, e é por isso que somos obrigados a tomar a ação que estamos tomando hoje, disse Gina Raimondo.
As novas restrições estão programadas para entrar em vigor em 29 de setembro, dando às empresas um período de 100 dias para encontrar soluções alternativas. Enquanto isso, qualquer novo negócio da Kaspersky em solo americano será bloqueado 30 dias após o anúncio das restrições. O Departamento de Comércio também planeja adicionar três unidades da Kaspersky a uma lista de restrição comercial, efetivamente cortando seus laços com fornecedores dos EUA.
A Kaspersky, por sua vez, não está aceitando isso de braços cruzados. A empresa reagiu, sugerindo que a decisão dos EUA está mais relacionada ao “clima geopolítico atual e preocupações teóricas” do que a qualquer evidência concreta de irregularidades. Eles prometem buscar opções legais para manter suas operações nos EUA, afirmando que são uma empresa gerida de forma privada, sem vínculos com o governo russo.
Vale ressaltar que a proibição não cobre apenas novas vendas. Ela também bloqueará atualizações de software, revendas e até mesmo o licenciamento de produtos da Kaspersky. Produtos que integram a tecnologia Kaspersky e são vendidos sob um nome diferente também estão cobertos pelas restrições.
O movimento faz parte de uma estratégia mais ampla da administração Biden para mitigar potenciais ameaças cibernéticas da Rússia. Está em jogo uma nova autoridade que permite restringir transações entre empresas americanas e empresas de tecnologia de nações “adversárias estrangeiras”, como Rússia e China.
Ao mesmo tempo, os EUA aparentemente estão ficando sem novas sanções para impor à Rússia devido à sua guerra contínua na Ucrânia, o que torna o momento deste anúncio particularmente interessante.
A Kaspersky já esteve em apuros antes. Em 2017, o Departamento de Segurança Interna dos EUA expulsou o software das redes federais, citando possíveis vínculos com a inteligência russa.
Mas a pressão realmente aumentou após o movimento de Moscou contra Kiev no início de 2022. Após a invasão, o Escritório Federal de Segurança da Informação da Alemanha (BSI) emitiu um aviso de que fabricantes de TI russos podem “realizar operações ofensivas”, recomendando que os produtos antivírus da Kaspersky fossem substituídos por alternativas.
Pouco tempo depois, a FCC dos EUA adicionou o Kaspersky Lab a uma lista de “ameaça à segurança nacional”, ao lado das empresas de telecomunicações chinesas como Huawei Technologies Co e ZTE Corp. A Kaspersky foi a primeira empresa russa na lista.

