Queda histórica expõe crise de “Destiny 2”, que tenta sobreviver após auge como fenômeno global
Por Sandro Felix
Publicado em 16/04/26 às 07:19
Por anos, Destiny 2 foi sinônimo de sucesso no modelo de jogos como serviço. Lançado em 2017 pela Bungie, o título atingiu seu ápice ao longo da década, com expansões capazes de mobilizar centenas de milhares de jogadores simultâneos e consolidar uma comunidade fiel. Hoje, porém, enfrenta um cenário oposto: perda massiva de usuários, críticas recorrentes e incertezas sobre seu futuro.
Dados recentes indicam que o jogo perdeu cerca de 91% de sua base de jogadores desde meados de 2025, chegando a quedas próximas de 97% quando comparado ao período pós-expansão “The Final Shape”, lançada em 2024. Na plataforma Steam, que serve como termômetro público de engajamento, o título saiu de picos superiores a 300 mil jogadores simultâneos em 2023 para menos de 10 mil em momentos recentes.
Esse declínio marca uma mudança brusca para um jogo que, durante anos, foi considerado referência em retenção de público no mercado de games online.
Auge impulsionado por expansões e narrativa
O sucesso de Destiny 2 esteve diretamente ligado à sua estrutura de expansões e à evolução narrativa construída ao longo de quase uma década. Conteúdos como “Lightfall” e, principalmente, Destiny 2: The Final Shape foram responsáveis por picos de engajamento e avaliações positivas da crítica.
A expansão de 2024, que encerrou a chamada “Saga da Luz e Trevas”, foi amplamente elogiada e considerada um fechamento satisfatório para a história principal. Esse momento representou, ao mesmo tempo, o auge criativo do jogo e o início de um problema estrutural: muitos jogadores enxergaram o encerramento da narrativa como um ponto natural para abandonar a experiência.
Historicamente, cada nova expansão do jogo atraía mais de 300 mil jogadores simultâneos no lançamento. No entanto, já em 2025, sinais de desgaste começaram a aparecer. A expansão Destiny 2: The Edge of Fate, que inaugurou uma nova fase chamada “Fate Saga”, teve desempenho significativamente inferior, chegando a menos de 100 mil jogadores no lançamento.
Além da queda de interesse, mudanças estruturais no jogo — como novos sistemas de progressão e alterações na entrega de conteúdo — foram recebidas com ceticismo por parte da comunidade.
Crise de engajamento e futuro incerto
A partir de 2025, a queda de jogadores se intensificou. A média mensal de usuários na Steam chegou a cerca de 18 mil, com picos ainda menores em horários de baixa atividade. Em paralelo, críticas à falta de um roteiro claro de atualizações e decisões controversas de design passaram a dominar o debate entre jogadores.
Relatórios financeiros também refletiram o cenário. A Sony, que adquiriu a Bungie em 2022, reconheceu que o desempenho de Destiny 2 ficou abaixo das expectativas em termos de vendas e engajamento. Internamente, a desenvolvedora enfrentou reestruturações, demissões e mudanças estratégicas ao longo do período.
Outro fator apontado por analistas é a fadiga do modelo “live service”. Após anos de atualizações constantes, parte da base de jogadores demonstrou desgaste com o ciclo repetitivo de conteúdo e progressão. Decisões como a remoção de conteúdos antigos e sistemas considerados excessivamente complexos também contribuíram para a perda de confiança.
Ao mesmo tempo, a Bungie passou a dividir atenção com novos projetos, como o shooter Marathon, levantando questionamentos sobre o comprometimento com seu principal título.
Apesar do cenário adverso, a empresa ainda aposta em novas expansões e atualizações para tentar reverter a tendência de queda. Conteúdos previstos para 2026, como “Shattered Cycle”, são vistos como uma possível tentativa de revitalizar a base de jogadores.
Especialistas, no entanto, avaliam que o desafio vai além de novos lançamentos. Para recuperar relevância, Destiny 2 precisará reconquistar a confiança da comunidade e redefinir seu modelo de longo prazo — tarefa considerada complexa em um mercado cada vez mais competitivo.
O futuro do jogo, que já foi um dos pilares da indústria, permanece em aberto.