Artemis II enfrenta apagão de comunicação ao passar pelo lado oculto da Lua e bate recorde histórico

Artemis II enfrenta apagão de comunicação ao passar pelo lado oculto da Lua e bate recorde histórico

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Publicado em 07/04/26 às 06:51

A missão Artemis II, da NASA, viveu um dos momentos mais críticos e simbólicos de sua jornada nesta segunda-feira (6), ao entrar em um apagão de comunicação planejado durante a passagem pelo lado oculto da Lua. O contato com a Terra foi interrompido por cerca de 40 minutos, deixando a tripulação completamente isolada no espaço profundo.

Segundo a agência espacial americana, o sinal foi perdido por volta das 18h44 (horário da Costa Leste dos EUA) e só foi restabelecido aproximadamente às 19h25, quando a Terra voltou a aparecer no campo de visão da tripulação, em um momento conhecido como ‘Earthrise’.

A bordo estavam os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e o canadense Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense. Durante o período sem comunicação, eles experimentaram um dos momentos de maior isolamento já vividos por seres humanos fora da órbita terrestre.

artemis-II-lado-oculto-da-luaNave Orion se aproximando do lado oculto da Lua / Imagem: Nasa

Bloqueio natural e isolamento no espaço profundo

O apagão ocorreu devido a um fator conhecido e inevitável: a própria Lua atuou como uma barreira física entre a nave e a Terra, bloqueando completamente qualquer transmissão de rádio.

Apesar da tensão inerente ao momento, a NASA já havia classificado essa fase como de baixo risco. Ainda assim, equipes em solo permaneceram em alerta para qualquer eventualidade. Antes da perda de sinal, os astronautas realizaram uma série de procedimentos preparatórios, incluindo a ingestão de suplementos proteicos e a administração de medicamentos, tudo isso vestindo os trajes pressurizados de lançamento e reentrada.

A agência também havia definido protocolos de emergência. Em caso de falha estrutural na cápsula Orion, o sistema seria capaz de manter o fornecimento de oxigênio e a pressão interna, permitindo que a tripulação tivesse tempo suficiente para se proteger em seus trajes espaciais.

nasa-artemis-iiTripulantes da missão Artemis II / Imagem: Nasa

Mesmo sem comunicação com a Terra, a missão seguiu conforme o planejado e registrou marcos históricos. Durante o apagão, a nave atingiu sua maior distância do planeta: cerca de 406,6 mil quilômetros, superando o recorde estabelecido pela Apollo 13, em 1970, por aproximadamente 6,6 mil quilômetros.

Além disso, os astronautas tiveram a oportunidade de observar diretamente o lado oculto da Lua — região que nunca é visível da Terra —, além de realizar atividades científicas importantes. Entre elas, o monitoramento de antigos locais de pouso das missões Apollo, a identificação de possíveis áreas para futuras explorações e o registro de imagens de planetas como Mercúrio, Vênus, Marte e Saturno.

Outro destaque foi a observação de um eclipse solar a partir da perspectiva da cápsula Orion, um fenômeno raro e de grande valor científico.

Durante a aproximação máxima, a cerca de 6,5 mil quilômetros da superfície lunar, a Lua pôde ser vista com tamanho aparente semelhante ao de uma bola de basquete observada à distância de um braço.

lado-oculto-lua

O feito reforça os avanços do programa Artemis, que pretende levar humanos de volta à Lua e, futuramente, viabilizar missões tripuladas a Marte.

Projetos internacionais também buscam reduzir limitações como o apagão de comunicação. A Agência Espacial Europeia, por exemplo, trabalha na iniciativa “Moonlight”, que prevê a criação de uma rede de satélites ao redor da Lua para garantir conexão contínua em missões futuras.

A missão Artemis II segue em andamento e já é considerada um marco na retomada da exploração humana do espaço profundo, combinando tecnologia avançada, planejamento rigoroso e a superação de limites históricos.

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