Artemis II decola e marca primeira viagem tripulada ao redor da Lua em mais de 50 anos

Artemis II decola e marca primeira viagem tripulada ao redor da Lua em mais de 50 anos

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Publicado em 02/04/26 às 16:51

Quatro astronautas partiram na noite desta quarta-feira (1º), por volta das 19h30 (horário de Brasília) a bordo de uma nave da NASA em uma missão que os levará mais longe da Terra do que qualquer ser humano esteve desde o fim do programa Apollo, há mais de cinco décadas.

A missão Artemis II decolou do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, com os norte-americanos Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além do canadense Jeremy Hansen. O grupo deve viajar até a Lua, contorná-la uma vez e retornar à Terra em cerca de dez dias.

Desde o encerramento do programa Apollo — responsável por levar 12 pessoas à superfície lunar entre as décadas de 1960 e 1970 — centenas de astronautas viajaram ao espaço. No entanto, todos permaneceram em órbitas baixas da Terra, geralmente a cerca de 400 quilômetros de altitude, onde operam estações espaciais.

Christina Koch, de 47 anos, que já passou quase um ano na Estação Espacial Internacional, fará história ao se tornar a primeira mulher a alcançar a vizinhança da Lua. Nas missões Apollo, todos os 24 astronautas que viajaram até o entorno lunar eram homens — metade deles chegou a pousar, enquanto os demais permaneceram em órbita.

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Missão marca nova fase da exploração lunar

O programa Artemis representa a estratégia da NASA para estabelecer uma presença humana sustentável na Lua. Diferentemente da corrida espacial do século passado, o objetivo atual vai além de simplesmente chegar ao satélite natural: inclui a construção de uma base permanente, estadias prolongadas e a exploração de recursos locais que permitam a continuidade das operações.

A primeira missão do programa, realizada em 2022, não teve tripulação. Já a Artemis II, lançada agora, é considerada um voo de sobrevoo — ou seja, aproxima-se da Lua sem realizar pouso. Trata-se de uma etapa preparatória para a missão prevista para 2028, que deverá levar humanos novamente à superfície lunar pela primeira vez desde 1972, quando ocorreu a Apollo 17.

Antes disso, a agência ainda planeja uma missão intermediária para testar sistemas e equipamentos essenciais para o pouso tripulado.

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Ao contrário do que ocorreu durante a era Apollo, os padrões atuais de segurança são significativamente mais rigorosos. Os riscos técnicos e operacionais tolerados no passado não são mais aceitáveis, o que explica o cronograma mais gradual e cauteloso do programa Artemis.

Apesar de funcionar como ensaio, a Artemis II também possui objetivos científicos relevantes. A bordo da nave Orion, os astronautas irão conduzir experimentos em colaboração com equipes em estações terrestres, contribuindo para o avanço das futuras missões espaciais tripuladas.

A trajetória inclui a passagem pelo lado oculto da Lua — região que nunca é visível da Terra. Será a primeira vez que seres humanos poderão observar diretamente essa face do satélite natural.

Durante cerca de três horas nesse trecho da missão, os astronautas irão analisar e registrar características geológicas da superfície lunar, como crateras de impacto e fluxos antigos de lava. O trabalho será baseado em treinamentos realizados tanto em sala de aula quanto em ambientes terrestres semelhantes ao terreno lunar.

Essas observações são consideradas fundamentais para futuras explorações, especialmente na região do polo sul da Lua, apontada como estratégica para a instalação de bases e possível extração de recursos.

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