EUA mobilizam 75 mil militares no Oriente Médio e elevam tensão com o Irã
Por Sandro Felix
Publicado em 19/02/26 às 16:50
Os Estados Unidos concentraram cerca de 75 mil militares no Oriente Médio nas últimas semanas, na maior mobilização de forças americanas na região desde a Guerra do Iraque, em 2003. O reforço estratégico ocorre em meio à escalada de tensões com o Irã e amplia os temores de uma possível operação militar prolongada.
Washington ativou nas últimas semanas um reforço estratégico sem precedentes de suas capacidades militares no Oriente Médio, reunindo cerca de 75 mil militares prontos para uma eventual operação prolongada contra o Irã, segundo fontes especializadas em defesa ouvidas pela reportagem. Trata-se da maior mobilização de tropas americanas na região desde a Guerra do Iraque, em 2003.
O contingente envolve efetivos do Exército, da Marinha, do Corpo de Fuzileiros Navais e da Força Aérea, além de especialistas em operações conjuntas, inteligência e logística. As forças foram posicionadas em bases no Golfo Pérsico e em países aliados, num cenário marcado por tensão diplomática crescente e por um delicado equilíbrio geopolítico.
A Casa Branca não confirmou oficialmente o número total de militares mobilizados, mas o presidente Donald Trump ordenou a movimentação de dezenas de milhares de soldados e equipamentos estratégicos. O Pentágono afirma que o objetivo é “garantir a segurança dos interesses americanos e de seus aliados na região”.
Maior força aérea desde 2003
Dados de monitoramento de voos militares indicam que mais de 50 caças modernos foram deslocados para pontos estratégicos do Oriente Médio em um intervalo de 24 horas. Entre eles estão modelos como F-35 Lightning II, F-22 Raptor e F-16 Fighting Falcon, considerados alguns dos aviões mais avançados do arsenal americano.
Essas aeronaves possuem capacidades de ataque de precisão, reconhecimento e superioridade aérea. O reforço inclui ainda aviões de reabastecimento em voo, plataformas de guerra eletrônica e sistemas de comando e controle, essenciais para coordenar operações complexas que poderiam se estender por semanas.
Na frente naval, dois grupos de ataque de porta-aviões foram enviados para a região. O USS Abraham Lincoln e o USS Gerald R. Ford — este último considerado o navio de guerra mais avançado da Marinha dos EUA — operam no Golfo de Omã e no Mar Arábico. Cada grupo reúne dezenas de aeronaves e embarcações de escolta, capazes de lançar ataques de longo alcance sem depender de bases em terra.
Segundo analistas militares, a combinação de massa terrestre, superioridade aérea e poder naval cria uma estrutura pronta tanto para dissuasão quanto para ação ofensiva. “É uma demonstração clara de capacidade de projeção de força”, afirma um pesquisador de segurança internacional baseado em Washington.
Pressão militar e impasse diplomático
O reforço ocorre em meio a negociações indiretas entre Estados Unidos e Irã realizadas em Genebra e Mascate, voltadas para o controverso programa nuclear iraniano. As conversas, porém, não avançaram de forma decisiva.
Teerã reiterou que não abrirá mão de sua soberania e classificou a chegada dos porta-aviões como provocação. Autoridades iranianas advertiram que qualquer ataque receberá resposta “proporcional e firme”. O governo iraniano também acusa Washington de tentar impor concessões por meio de pressão militar.
Fontes próximas ao governo americano afirmam que o presidente pode autorizar o início de uma operação em menos de uma semana, com possibilidade de ataques preventivos ainda neste fim de semana. A Casa Branca não comentou essas informações.
Paralelamente, os EUA iniciaram a retirada total de cerca de 1.000 soldados da Síria, onde atuavam em operações contra grupos insurgentes, incluindo o Estado Islâmico. O Pentágono sustenta que o movimento faz parte de um reajuste estratégico mais amplo e não está diretamente ligado à atual concentração de forças contra o Irã.
Especialistas avaliam que a mobilização busca aumentar o poder de barganha americano nas negociações nucleares e enviar uma mensagem de determinação a aliados e adversários. Ao mesmo tempo, o risco de escalada é considerado real.
“A presença militar é, ao mesmo tempo, um instrumento de pressão e um fator de instabilidade”, afirma um diplomata europeu que acompanha as tratativas. Para ele, o desfecho dependerá da capacidade das partes de retomar o diálogo antes que qualquer incidente leve a um confronto aberto.
A intensificação da presença americana reacende temores de um conflito regional de grandes proporções, com impactos sobre o mercado global de energia e a estabilidade política do Oriente Médio. Enquanto isso, o Irã mantém seu discurso de resistência, e a comunidade internacional observa com cautela os próximos passos de Washington.