Venda de robôs humanoides da Tesla deve começar em 2027, afirma Elon Musk
Por Sandro Felix
Publicado em 01/02/26 às 07:48
O presidente-executivo da Tesla, Elon Musk, afirmou que os robôs humanoides Optimus devem começar a ser vendidos ao público no fim de 2027. A declaração foi feita durante um painel no Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça, em conversa com Larry Fink, chefe da gestora BlackRock.
Segundo Musk, a Tesla só colocará os robôs à venda quando houver “confiança total” na segurança e na confiabilidade das máquinas. “Venderemos robôs humanoides ao público quando tivermos certeza de que são seguros, confiáveis e capazes de executar muitas tarefas diferentes”, disse o empresário. O executivo afirmou ainda que o preço deve ficar entre US$ 20 mil e US$ 30 mil por unidade quando a empresa alcançar produção em larga escala, valor que representaria cerca de um quinto do custo de outros robôs humanoides disponíveis atualmente no mercado.
A Tesla já utiliza versões iniciais do Optimus em atividades simples dentro de suas próprias fábricas de automóveis. De acordo com Musk, até o fim de 2026 os robôs deverão ser capazes de realizar operações consideravelmente mais complexas, o que abriria caminho para a expansão do uso industrial e, posteriormente, doméstico.
A corrida pelo desenvolvimento de robôs humanoides ganhou novo impulso nas últimas semanas com a apresentação do Atlas, da Boston Dynamics, durante um evento em Las Vegas. Controlada pelo grupo sul-coreano Hyundai, a empresa anunciou o início da produção comercial do Atlas e informou que toda a capacidade de encomendas para 2026 já está comprometida. Segundo Robert Playter, presidente da Boston Dynamics, o robô “tem potencial para revolucionar o funcionamento da indústria e representa um primeiro passo rumo a máquinas úteis que possam entrar nas casas das pessoas”.
Os primeiros exemplares do Atlas devem ser entregues nos próximos meses a fábricas da Hyundai e a equipes do Google DeepMind. O robô é capaz de levantar até 50 quilos, operar em temperaturas que variam de –20 °C a 40 °C e trocar automaticamente a própria bateria quando a carga se esgota, retomando o trabalho sem intervenção humana, segundo a empresa.
Como parte de uma estratégia mais ampla, a Hyundai anunciou um investimento de US$ 26 bilhões nos Estados Unidos, que inclui a construção de uma fábrica com capacidade para montar até 30 mil robôs por ano. A aposta reflete as expectativas de crescimento acelerado do setor. Analistas do banco Barclays estimam que o mercado global de robôs humanoides, hoje avaliado entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões, pode alcançar US$ 40 bilhões em 2035. Projeções mais otimistas, de instituições como o Morgan Stanley, apontam para um valor de até US$ 200 bilhões quando essas máquinas passarem a integrar de forma ampla o mercado de trabalho, com potencial de chegar a US$ 5 trilhões até 2050.
Musk reconheceu que o início da fabricação de produtos emergentes costuma ser lento e desafiador. Em publicação na rede social X, afirmou que a produção inicial tanto do serviço de táxis autônomos Cybercab quanto do Optimus será “dolorosamente lenta”, já que quase todos os processos envolvidos são novos. Para investidores, no entanto, ainda faltam sinais mais concretos. Ken Mahoney, diretor da Mahoney Asset Management e acionista da Tesla, disse que o mercado espera “provas críveis de produção em grande escala, um caminho regulatório claro e, se possível, custos unitários bem definidos”.