China coloca em operação maior turbina eólica marinha do mundo capaz de abastecer 55 mil residências por ano
Por Sandro Felix
Publicado em 18/01/26 às 06:37
A China deu mais um passo para consolidar sua posição de liderança na engenharia energética global ao colocar em operação, na cidade de Dongying, a maior turbina eólica marinha já construída no mundo. Com potência instalada de 26 megawatts (MW), o equipamento começou a funcionar na Base de Inovação para Testes e Certificação de Equipamentos de Energia Eólica, um centro criado justamente para levar novas tecnologias ao limite antes de sua adoção comercial em larga escala.
Mais do que um recorde simbólico, a nova turbina foi projetada para produzir até 100 milhões de quilowatts-hora (kWh) por ano, volume suficiente para abastecer cerca de 55 mil residências. O projeto se insere diretamente na estratégia chinesa de transformar seu sistema elétrico e reduzir as emissões de gases de efeito estufa, com a meta de neutralidade de carbono até 2060. A escolha de Dongying, no litoral da província de Shandong, não é casual: a região vem sendo transformada em um laboratório de grande escala para o desenvolvimento de soluções voltadas ao futuro da energia marinha.
As dimensões da turbina impressionam. Comparável a um arranha-céu de 67 andares, o equipamento possui um rotor com 310 metros de diâmetro. Cada uma das pás mede 153 metros de comprimento, entre as maiores já fabricadas no setor. A área de varredura ultrapassa 77 mil metros quadrados, permitindo capturar volumes maiores de vento e aumentar a eficiência em ambientes marítimos, onde pequenos avanços tecnológicos podem se traduzir em energia limpa para milhares de lares.
O projeto também chama atenção pelo foco na durabilidade. Desenvolvida para operar em condições extremas, a turbina incorpora soluções específicas contra corrosão e contra os fortes ventos e tufões comuns na costa chinesa. Em seu interior, mais de 30 mil componentes funcionam de forma integrada graças a uma arquitetura de acionamento semidireto de terceira geração, que combina eixo, gerador e caixa de câmbio. O objetivo é reduzir perdas mecânicas e melhorar a conversão de energia. Sistemas avançados de refrigeração interna e externa completam o conjunto, garantindo desempenho mesmo sob cargas elevadas.
Planejada para áreas com ventos médios e altos, acima de 8 metros por segundo, a turbina pode operar entre 20 e 26 MW, dependendo das condições climáticas. Em cenários favoráveis, sua alta densidade de geração se torna especialmente relevante para regiões costeiras com espaço limitado e demanda crescente por eletricidade.
Além da produção de energia, o empreendimento tem forte peso estratégico. Ao ampliar a geração renovável, a China reduz a dependência de combustíveis fósseis importados, reforça sua segurança energética e fortalece sua indústria nacional de equipamentos para energia eólica marinha. A turbina de Dongying também funciona como plataforma de testes para tecnologias que poderão ser replicadas em outros projetos. Mais do que um marco técnico, o equipamento antecipa o modelo energético que o país asiático pretende consolidar nas próximas décadas.