Estudo mostra que após 12 meses, 80% dos pacientes recuperam todo o peso perdido após interromper o uso do Ozempic

Publicado em 11/01/26 às 06:38

Um novo levantamento científico reacende o debate sobre os limites dos medicamentos usados para emagrecimento. De acordo com um estudo publicado na última quarta-feira na revista médica The BMJ, a maior parte das pessoas que interrompe tratamentos com Ozempic, Wegovy ou Mounjaro volta a ganhar o peso perdido em um intervalo de um a dois anos.

A pesquisa analisou dados de 37 estudos conduzidos em diferentes países, reunindo informações de mais de 9.300 adultos com sobrepeso ou obesidade. Todos os participantes haviam utilizado medicamentos para controle de peso por semanas ou meses e, após a suspensão do tratamento, foram acompanhados para observar a evolução do peso corporal.

O resultado aponta um padrão consistente: cerca de 80% dos pacientes recuperam progressivamente o peso após parar o uso desses fármacos. Em média, o ganho é de aproximadamente 400 gramas por mês, ritmo que leva a pessoa a retornar ao peso inicial em um período de um ano e meio a dois anos.

Os dados chamam atenção especialmente no caso dos medicamentos mais recentes, como os à base de semaglutida (Ozempic e Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro). Nesses casos, a recuperação tende a ser ainda mais rápida, com uma média de 800 gramas por mês. Segundo os autores, isso ocorre porque esses remédios promovem uma perda de peso inicial mais intensa, o que acelera o retorno ao patamar anterior após a interrupção.

Apesar disso, os pesquisadores destacam que não se trata de um “efeito rebote” imediato. O ganho de peso ocorre de forma gradual, mês a mês. Esses medicamentos pertencem à classe dos análogos do GLP-1, que atuam sobre hormônios relacionados ao apetite e à saciedade. Enquanto o tratamento está em curso, há redução do consumo alimentar e melhora significativa nos indicadores de peso.

O estudo também avaliou outros parâmetros de saúde, como níveis de glicose, pressão arterial e colesterol. Esses indicadores costumam melhorar durante o uso dos medicamentos, mas, assim como o peso, tendem a retornar aos valores anteriores após a suspensão, geralmente em um período de um a um ano e meio.

Ao comparar os resultados com métodos tradicionais de emagrecimento baseados em mudanças de hábitos — como dieta, atividade física e programas comportamentais —, os autores observaram uma diferença importante. Nessas abordagens, a perda de peso inicial costuma ser menor, porém a recuperação é mais lenta, em torno de 100 gramas por mês. Isso faz com que o retorno ao peso original possa levar até quatro anos.

Os pesquisadores ressaltam limitações do trabalho, como a escassez de dados de longo prazo sobre os medicamentos mais novos e a diversidade dos métodos de acompanhamento nos estudos analisados. Também não foi possível identificar estratégias eficazes para manter o peso após a interrupção dos remédios.

A conclusão é cautelosa: embora os fármacos ofereçam uma perda de peso rápida e relevante, seus efeitos parecem depender do uso contínuo. Uma vez suspensos, o organismo tende a buscar o equilíbrio anterior — um lembrete de que o controle do peso, segundo os autores, segue ligado à adoção de hábitos sustentáveis no longo prazo, e não apenas ao uso de medicamentos.