No poder e nas manchetes: as 10 declarações mais controversas de Donald Trump em 2025
Por Sandro Felix
Publicado em 29/12/25 às 16:37
O segundo mandato de Donald Trump começou com uma sucessão de declarações que reacenderam controvérsias dentro e fora dos Estados Unidos. Reempossado em 2025, o republicano retomou o estilo confrontacional que marcou sua trajetória política, combinando anúncios de impacto, insultos a adversários e uma diplomacia marcada por gestos abruptos.
Condenado em um processo criminal antes de assumir o cargo — fato inédito na história americana — Trump voltou à Casa Branca prometendo “resolver conflitos” e “recolocar os EUA no centro do mundo”. Em fóruns internacionais, apresentou-se como mediador de guerras e chegou a afirmar, diante da Organização das Nações Unidas, ter encerrado sete conflitos em poucos meses. A fala gerou reações céticas entre diplomatas e especialistas, que questionaram a efetividade e a durabilidade dos acordos citados.
Na mesma linha, Trump celebrou um frágil cessar-fogo na Faixa de Gaza e participou de encontros relacionados à guerra entre Rússia e Ucrânia, incluindo uma reunião com Vladimir Putin. Apesar do discurso pacificador, o presidente norte-americano também colecionou críticas por declarações consideradas ofensivas ou incendiárias.
Abaixo, você confere as 10 citações mais controversas de Donald Trump durante o ano de 2025:
1. “Vamos acabar com esses filhos da puta”
A declaração foi feita em dezembro, durante um comício no Texas, referindo-se a integrantes do narcotráfico supostamente ligados ao regime de Nicolás Maduro, na Venezuela. Trump acusou Maduro de liderar o Cartel de los Soles e colocou uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à sua captura.
Além disso, autorizou o envio do porta-aviões Gerald R. Ford ao Caribe. Maduro reagiu mobilizando civis armados e denunciando uma “ofensiva imperialista”. A tensão militar na região aumentou nas semanas seguintes.
2. “São lixo. Não quero esse povo aqui”
Em nova ofensiva contra a imigração, Trump atacou migrantes da Somália durante entrevista na Casa Branca: “Eles não têm nada. Estão se matando entre si. O país é um desastre”.
Com isso, seu governo suspendeu a proteção contra deportação para somalis, válida desde 1991, e bloqueou a imigração de pessoas vindas de 19 países, incluindo Afeganistão, Irã, Haiti, Cuba e Venezuela. Organizações de direitos humanos classificaram as medidas como discriminatórias.
3. “Seus países estão indo direto para o inferno”
Durante a Assembleia Geral da ONU, Trump criticou duramente líderes europeus pela política de imigração. “Estão destruindo suas próprias nações. A Europa está com sérios problemas”, disse, apontando para Alemanha e França.
O presidente francês, Emmanuel Macron, respondeu que as declarações foram “irresponsáveis e ofensivas”. Trump, por sua vez, acusou a ONU de “fazer absolutamente nada”.
4. “Cala a boca, sua porca”
A repórter Catherine Lucey, da Bloomberg, foi insultada por Trump durante um voo no Air Force One, ao fazer uma pergunta sobre Jeffrey Epstein. A resposta do presidente — “Cala a boca. Fica quieta, sua porca” — foi registrada em vídeo e amplamente criticada pela imprensa e por associações de jornalistas.
Em outro episódio, Trump chamou um repórter de “burro” ao ser questionado sobre a responsabilidade do governo no ataque a dois soldados da Guarda Nacional em Washington.
5. “Estão brincando com a Terceira Guerra Mundial, mas não têm cartas na mesa”
Em fevereiro, após reunião tensa com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, Trump acusou Kiev de se recusar a negociar com Moscou. “Eles não querem paz. Estão jogando com fogo”, declarou.
O encontro terminou sem a assinatura de um acordo sobre minerais estratégicos, e líderes europeus saíram em defesa da Ucrânia. O vice-presidente americano, J.D. Vance, chegou a chamar Zelensky de “desrespeitoso”.
6. “Talvez a Espanha devesse ser expulsa da OTAN”
Em Haia, durante reunião da OTAN, Trump criticou o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez por se recusar a aumentar os gastos com defesa. “Todos os outros países estão fazendo sua parte. A Espanha não”, disse.
Trump exigiu que o país elevasse os investimentos para 5% do PIB e ameaçou impor tarifas comerciais. A União Europeia reagiu: “Se houver sanções, a Espanha será defendida”, declarou Ursula von der Leyen.
7. “Esses países estão ligando, puxando meu saco, implorando por um acordo”
O retorno da guerra comercial marcou o início do novo mandato de Trump. O presidente impôs tarifas sobre produtos estratégicos e disse que os líderes estrangeiros estavam “desesperados” para negociar. “Eles dizem: ‘por favor, presidente, qualquer coisa!’”.
Embora muitos países tenham adotado retaliações iniciais, a maioria acabou cedendo em busca de acordos bilaterais.
8. “Não quero parecer metido, mas transformar Gaza numa nova Riviera seria maravilhoso”
Após o cessar-fogo em Gaza, Trump sugeriu que os EUA liderassem a reconstrução da Faixa, com um projeto turístico de luxo. “Podemos transformar aquilo na nova Riviera do Oriente Médio”, declarou.
Um vídeo publicado nas redes sociais — feito com inteligência artificial — mostrou imagens de resorts fictícios na região. O conteúdo gerou revolta em países árabes e foi denunciado como insensível diante das mais de 70 mil mortes no conflito.
9. “Vamos renomear o Golfo do México para Golfo da América”
Cumprindo uma promessa de campanha, Trump exigiu que o Golfo do México fosse renomeado para “Golfo da América” em plataformas digitais e documentos oficiais. A mudança foi implementada em sites e mapas por pressão do governo.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, chamou a decisão de “absurda” e entrou com ação internacional contra empresas que aceitaram a modificação.
10. “A maior fraude da história é a mudança climática”
Em discurso na ONU, Trump voltou a negar a existência do aquecimento global e criticou energias renováveis. “Essas políticas estão atrasando o progresso da humanidade. Tudo isso é um golpe contra os países que querem crescer”, afirmou.
Ele também prometeu cortar financiamento de pesquisas que “espalhem alarmismo climático”. A fala foi duramente criticada por ambientalistas e cientistas, especialmente após uma temporada de desastres naturais extremos nos EUA.
Faltando ainda três anos para o fim do mandato, a tendência é que Trump continue a ocupar o noticiário com sua linguagem provocadora e decisões polarizadoras. Para seus apoiadores, é uma prova de força. Para seus críticos, um risco constante à estabilidade internacional.