Primeiro contato com alienígenas pode vir de civilizações à beira da extinção, sugere estudo

Publicado em 17/12/25 às 17:00

Um novo estudo preliminar do astrônomo David Kipping, professor assistente da Universidade Columbia, sugere que o primeiro contato da humanidade com uma civilização extraterrestre pode estar longe das narrativas otimistas da ficção científica. De acordo com o pesquisador, é mais provável que esse encontro inicial ocorra com uma sociedade alienígena instável, em declínio e possivelmente à beira da extinção.

A especulação sobre a existência de vida fora da Terra acompanha a humanidade há milênios. Já na Grécia Antiga, o filósofo Epicuro defendia a ideia de um universo repleto de mundos. Em uma carta a Heródoto, escrita entre os séculos IV e III antes da era cristã, Epicuro argumentava que, sendo os átomos infinitos, nada impediria a existência de uma infinidade de mundos, semelhantes ou não ao nosso.

Apesar dessa longa tradição filosófica, apenas no último século a ciência passou a buscar evidências concretas de vida extraterrestre. O desafio, porém, é enorme: até hoje, a Terra é o único planeta conhecido a abrigar vida inteligente, o que obriga os cientistas a extrapolar a partir de um único exemplo. Muitas hipóteses sobre civilizações avançadas refletem, em grande parte, os próprios valores humanos, como a busca constante por energia, expansão e recursos. Daí surgem ideias como as esferas de Dyson, mega estruturas hipotéticas capazes de aproveitar a energia de uma estrela inteira.

No entanto, apesar de extensas observações do céu, não há sinais claros dessas obras monumentais. Para Kipping, isso pode indicar que tais concepções representam não civilizações extremamente avançadas, mas sim sociedades em fases relativamente imaturas ou insustentáveis. Em um vídeo publicado em seu canal “Cool Worlds”, o astrônomo cita uma releitura de uma famosa frase de Arthur C. Clarke feita pelo escritor Carl Schroeder: “Qualquer civilização suficientemente avançada é indistinguível da natureza”. Segundo essa visão, civilizações maduras e sustentáveis podem existir em grande número, mas seriam praticamente invisíveis aos nossos instrumentos.

O trabalho de Kipping, ainda não revisado por pares e publicado no repositório científico arXiv, apresenta o que ele chama de “Hipótese Escatiana”. A proposta parte da observação de que, na astronomia, fenômenos raros e extremos costumam ser detectados antes dos mais comuns, justamente por serem mais chamativos. Um exemplo histórico citado pelo autor é a descoberta dos primeiros exoplanetas, encontrados ao redor de pulsares — estrelas de nêutrons altamente magnetizadas e em rápida rotação. Durante algum tempo, isso levou a questionamentos sobre a semelhança de outros sistemas planetários com o nosso. Anos depois, com mais de 6 mil exoplanetas já identificados, ficou claro que planetas em torno de pulsares são exceções.

O mesmo ocorre com supernovas: embora cada galáxia registre apenas algumas explosões desse tipo por século, sua intensidade luminosa permite que milhares sejam detectadas anualmente em diferentes regiões do universo. Para Kipping, algo semelhante pode acontecer com civilizações alienígenas. As mais fáceis de detectar seriam aquelas em uma fase “barulhenta”, marcada por consumo extremo de energia, poluição ou emissões artificiais intensas, ainda que essa etapa seja breve e atípica.

Segundo o pesquisador, essas fases de desequilíbrio são, por definição, insustentáveis. Uma civilização que aquece excessivamente seu planeta ou altera drasticamente o ambiente pode durar pouco tempo, mas, nesse intervalo, se torna muito mais visível do que sociedades estáveis e integradas ao seu ecossistema. Em analogia, Kipping compara essas civilizações a supernovas culturais: brilham intensamente por um curto período antes de desaparecer.

Em um cenário ainda mais sombrio, o astrônomo sugere que uma civilização à beira do colapso poderia até mesmo tentar se comunicar deliberadamente com o cosmos, enviando mensagens como último recurso. Diante da própria aniquilação, argumenta ele, não haveria mais medo de ameaças externas — apenas a esperança de ser ouvido.

 

Diante dessa perspectiva, Kipping defende uma estratégia de busca mais ampla e dinâmica por sinais de vida inteligente. Em vez de observar apenas alvos fixos, os cientistas deveriam monitorar grandes áreas do céu e revisitar regularmente as mesmas regiões, em busca de eventos transitórios que surgem e desaparecem em escalas de tempo relativamente curtas.

Assim, conclui o estudo, a melhor chance de um primeiro contato pode não estar em encontros com civilizações avançadas e estáveis, mas sim na detecção de “gritos altos na noite cósmica”: sinais efêmeros e trágicos de sociedades condenadas. Uma possibilidade que, embora distante do imaginário popular, pode estar mais alinhada com a forma como o universo costuma revelar seus segredos.