Netflix compra a Warner Bros. Discovery por US$ 72 bilhões e cria um novo gigante em Hollywood
Por Sandro Felix
Publicado em 05/12/25 às 16:05
A Netflix oficializou nesta sexta-feira (5) a compra histórica da Warner Bros. Discovery, encerrando uma das disputas empresariais mais acirradas de Hollywood nos últimos anos. O valor da transação foi de 72 bilhões de dólares, número que sobe para aproximadamente 83 bilhões quando se considera o valor empresarial total da operação, incluindo dívidas.
O movimento inclui a absorção da plataforma HBO Max, além do tradicional estúdio cinematográfico e televisivo responsável por algumas das produções mais marcantes da cultura audiovisual mundial ao longo do último século. A proposta da Netflix, de US$ 27,75 por ação — cerca de 18% acima do valor de fechamento do dia anterior — superou as ofertas concorrentes apresentadas por gigantes como Paramount Skydance e Comcast, que também disputavam o controle dos ativos da Warner.
O acordo acontece em um momento delicado para a Warner Bros. Discovery, que enfrentava sérias dificuldades financeiras desde a fusão entre WarnerMedia e Discovery. Com uma dívida elevada, a empresa vinha cogitando vender ativos para aliviar sua situação. Ao mesmo tempo, a queda acelerada da televisão por assinatura e a consolidação das plataformas de streaming pressionaram os grandes conglomerados a reformularem suas estratégias de mercado.
Para a Netflix, esta aquisição representa um divisor de águas. A empresa, que já era líder no setor de streaming, passa agora a controlar um dos catálogos mais influentes da história do cinema e da televisão. Estão inclusos clássicos como Casablanca, O Mágico de Oz e Cidadão Kane, além de sucessos modernos como Game of Thrones, The Sopranos, o universo DC, O Senhor dos Anéis, Harry Potter e os desenhos icônicos da Hanna-Barbera.
De acordo com executivos da Netflix, a união “melhorará a oferta e acelerará o negócio durante as próximas décadas”. A companhia não apenas adquire um vasto portfólio de conteúdo de alto valor, como também uma estrutura completa de produção, distribuição e direitos, que amplia significativamente sua capacidade operacional e competitiva.
Apesar da euforia do mercado e das projeções positivas, o acordo ainda precisa ser aprovado por órgãos reguladores dos Estados Unidos e de outros países, uma vez que representa uma concentração sem precedentes no mercado audiovisual global. Especialistas preveem um debate acirrado sobre os riscos de monopólio e o impacto da fusão na diversidade de conteúdo e na concorrência.
Caso o negócio seja aprovado, o cenário do entretenimento será drasticamente redesenhado. A Netflix deixará de ser apenas uma potência do streaming para se consolidar como um verdadeiro império do audiovisual, capaz de moldar os rumos da indústria cultural nas próximas décadas.