Tornado no Paraná mata seis, deixa centenas de feridos e reacende debate sobre mudança climática

Publicado em 09/11/25 às 07:43

Um tornado de intensidade incomum atingiu na noite de sexta-feira (7) o município de Rio Bonito do Iguaçu, no interior do Paraná, deixando ao menos seis mortos, mais de 700 feridos e centenas de casas destruídas. O fenômeno, classificado pelo Simepar como um tornado com ventos entre 180 km/h e 250 km/h, surpreendeu os moradores da região e reforçou as discussões sobre a influência das mudanças climáticas na intensificação de eventos meteorológicos extremos no Brasil.

Visão aérea do município de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, após tornado / Imagem: Jonathan Campos/Agência de Notícias do Paraná

A Defesa Civil estadual foi mobilizada nas primeiras horas da manhã de sábado, junto com o Corpo de Bombeiros e equipes da esfera federal, para atendimento às vítimas e remoção de escombros. Segundo informações do governo estadual, cerca de mil pessoas ficaram desalojadas e os danos materiais incluem telhados arrancados, postes derrubados e veículos arremessados pela força dos ventos. O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), decretou três dias de luto oficial e afirmou que o estado prestará apoio integral à população atingida.

A tempestade severa foi gerada por uma supercélula, estrutura atmosférica com potencial para provocar tornados e granizo. A formação desse tipo de sistema convectivo está associada à presença de alta instabilidade atmosférica, aliada ao cisalhamento dos ventos — condição que favorece a rotação das correntes de ar. O fenômeno, segundo especialistas, está longe de ser isolado e se insere num contexto de aumento da frequência e da intensidade de eventos extremos na região Sul do país.

Meteorologistas afirmam que, embora não seja possível afirmar que o tornado foi causado diretamente pelo aquecimento global, os efeitos das mudanças climáticas contribuem para criar condições mais favoráveis à ocorrência de episódios como esse. Estudos recentes indicam que o aumento da temperatura média do planeta intensifica a umidade atmosférica e, com isso, amplia a energia disponível para tempestades severas. Essa combinação pode tornar tornados mais prováveis ou mais violentos.

Imagem de satélite mostra o tornado que atingiu o paraná / Foto: SIMEPAR

Em junho deste ano, um relatório científico internacional já havia apontado que as enchentes no Rio Grande do Sul foram agravadas por fatores climáticos globais. Segundo a pesquisa, eventos meteorológicos como chuvas intensas, ciclones e agora tornados devem se tornar mais comuns com o avanço do aquecimento global.

Para especialistas em climatologia, o Sul do Brasil está cada vez mais vulnerável. A posição geográfica da região a torna ponto de encontro de frentes frias vindas do sul com massas de ar quente e úmido que sobem do interior do continente. Esse choque térmico intensifica as condições para a formação de tempestades perigosas. A ocorrência de tornados, antes considerada rara no Brasil, começa a surgir com mais frequência e intensidade em estados como Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Diante da catástrofe, cresce a pressão para que as autoridades reforcem os sistemas de alerta meteorológico e os protocolos de emergência. Especialistas defendem também a revisão das normas de construção civil em áreas suscetíveis e o investimento em infraestrutura resiliente. As mudanças climáticas, dizem os cientistas, exigem não apenas mitigação de emissões de gases de efeito estufa, mas também adaptação às novas realidades climáticas.