Tragédia ambiental | IUCN confirma extinção de ave migratória e pequenos marsupiais da Austrália

Publicado em 13/10/25 às 16:10

A mais recente atualização da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) ampliou o número de espécies oficialmente declaradas extintas. Entre elas estão uma ave migratória carismática, pequenos marsupiais australianos e até espécies de plantas. O levantamento, que monitora a situação de mais de 172 mil espécies em todo o mundo, é considerado o indicador mais abrangente sobre a saúde da biodiversidade global — e as notícias deste ano são majoritariamente sombrias.

Entre as espécies agora classificadas como extintas estão o maçarico-de-bico-fino (Numenius tenuirostris), o musaranho da Ilha Christmas (Crocidura trichura), o caracol marinho Conus lugubris, e três espécies de bandicoots australianos — o Shark Bay bandicoot (Perameles myosuros), o bandicoot-listrado do sudeste (Perameles notina) e o bandicoot-de-Nullarbor (Perameles papillon). Também entraram para a lista duas plantas: a Diospyros angulata, parente das árvores de ébano, vista pela última vez na década de 1850, e a Delissea sinuata, nativa das ilhas havaianas.

Adeus ao maçarico-de-bico-fino

Durante boa parte do século XX, o maçarico-de-bico-fino era uma presença comum nas rotas migratórias que cruzavam a Europa, o norte da África e o oeste da Ásia. O último registro confirmado da espécie ocorreu em 25 de fevereiro de 1995, quando um exemplar foi avistado em uma lagoa costeira no Marrocos. Desde então, nenhuma observação comprovada foi feita — embora existam relatos não confirmados, como um suposto registro em 2001 na Hungria.

As causas exatas de sua extinção permanecem incertas, mas especialistas apontam a caça excessiva e a perda de habitat como fatores determinantes. Organizações ambientais já vinham considerando a espécie extinta nos últimos anos, mas agora a confirmação é oficial, com a inclusão na lista da IUCN.

A extinção do maçarico-de-bico-fino é um momento trágico e um alerta para a conservação das aves migratórias, afirmou Amy Fraenkel, secretária executiva da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres.

Esperamos que essa perda estimule ações mais eficazes para proteger outras espécies ameaçadas.

Marsupiais australianos desaparecem

A perda de três espécies de marsupiais australianos — o marl, o bandicoot-listrado do sudeste e o bandicoot-de-Nullarbor — representa outro duro golpe para a fauna única do continente. Esses pequenos mamíferos, outrora comuns em várias regiões da Austrália, desapareceram principalmente devido à introdução de predadores exóticos, como raposas, gatos e cães selvagens, além da destruição de habitats causada por mudanças no uso do solo.

Conservacionistas destacam que a extinção dessas espécies reforça a necessidade urgente de proteger ecossistemas nativos e controlar espécies invasoras, um dos maiores desafios ambientais do país.

Nem tudo são más notícias

Apesar das perdas, a atualização da IUCN também trouxe um raro motivo para otimismo. A tartaruga-verde (Chelonia mydas), símbolo global da conservação marinha, melhorou seu status de ameaça, passando de “Em Perigo” para “Menos Preocupante”.

Segundo estimativas, a população global da espécie cresceu cerca de 28% desde a década de 1970, graças a décadas de esforços de preservação, como a criação de áreas protegidas e o combate à caça ilegal.

Entretanto, o quadro geral continua alarmante. Espécies de focas do Ártico, como a foca-encapuzada (Cystophora cristata), agora estão classificadas como “Em Perigo”. Já a foca-barbuda (Erignathus barbatus) e a foca-da-Groenlândia (Pagophilus groenlandicus) passaram de “Pouco Preocupante” para “Quase Ameaçada”.

Entre as aves, a situação também é crítica: 61% das espécies apresentam declínio populacional — um salto expressivo em relação aos 44% registrados em 2016.

A nova atualização da Lista Vermelha, apresentada no Congresso da IUCN em Abu Dhabi, lança luz sobre os desafios urgentes e também sobre as possibilidades que ainda temos, declarou a diretora-geral da IUCN, Dr. Grethel Aguilar.

Enquanto espécies como as focas e muitas aves enfrentam ameaças crescentes, a recuperação da tartaruga-verde mostra que a conservação funciona quando há determinação e união.

O relatório reforça a mensagem de que a ação humana é decisiva tanto para a perda quanto para a recuperação de espécies. A IUCN alerta que, sem mudanças significativas em políticas ambientais e investimentos em conservação, o número de espécies ameaçadas continuará a crescer nos próximos anos.