Netflix renova “Monstro” mesmo após fracasso de “A História de Ed Gein
Por Sandro Felix
Publicado em 07/10/25 às 16:09
A Netflix voltou a ser alvo de críticas após o lançamento de Monstro: A História de Ed Gein, terceira temporada da antologia criada por Ryan Murphy. A nova produção, que retrata a vida do assassino em série que inspirou clássicos do terror como Psicose e O Massacre da Serra Elétrica, tornou-se um fenômeno global de audiência — mas também um dos maiores fracassos de avaliação da plataforma nos últimos anos.
Lançada em 3 de outubro de 2025 e estrelada por Charlie Hunnam, a série conseguiu o improvável: uniu público e crítica em torno de um consenso negativo. No agregador de críticas Rotten Tomatoes, Monstro: A História de Ed Gein registra apenas 29% de aprovação da crítica especializada e 53% do público, índices que raramente seriam comemorados em qualquer estúdio. Ainda assim, a Netflix demonstrou que o sucesso comercial segue pesando mais do que o reconhecimento artístico.
Mesmo diante da recepção negativa, a empresa confirmou a renovação de “Monstro” para uma quarta temporada, que terá como foco Lizzie Borden, uma das figuras mais enigmáticas da crônica criminal norte-americana. A decisão reforça uma tendência já observada nas produções anteriores da antologia — sucesso de audiência, críticas mornas e continuidade garantida.
A primeira temporada, lançada em 2022 e centrada em Jeffrey Dahmer, foi um sucesso explosivo que dividiu opiniões, gerando debates sobre ética e exploração de crimes reais. A segunda, Monstros: A História de Lyle e Erik Menendez, repetiu a fórmula: milhões de espectadores, mas entusiasmo cada vez menor. Agora, com Ed Gein, o padrão se consolidou — e o desgaste criativo ficou evidente.
Apesar disso, a série lidera o top global da Netflix, permanecendo entre os títulos mais assistidos em diversos países, incluindo o Brasil, onde atualmente ocupa o primeiro lugar de série mais assistida da plataforma. O resultado evidencia a lógica atual do streaming: a quantidade supera a qualidade, e as más críticas se tornam mero ruído diante de números expressivos de visualização.
A contradição é clara. No mesmo catálogo em que séries aclamadas são canceladas por falta de público, Monstro segue firme, sustentada por um algoritmo que prioriza o engajamento acima de tudo. Para muitos, o caso de Ed Gein simboliza o atual momento da indústria do streaming — onde a relevância se mede em cliques, e não em mérito criativo.
Enquanto a próxima temporada avança em produção, o debate permanece aberto: até que ponto o público está disposto a consumir mais do mesmo? E, sobretudo, o que a persistência de Monstro revela sobre o futuro da ficção baseada em crimes reais?