Microsoft anuncia megaprojeto de data center de IA nos EUA com promessa de ser o mais poderoso do mundo
Por Sandro Felix
Publicado em 20/09/25 às 07:31
A Microsoft anunciou oficialmente nesta semana que iniciará a operação de um gigantesco centro de dados voltado para inteligência artificial no início de 2026, na cidade de Mount Pleasant, condado de Racine, Wisconsin (EUA). O empreendimento ocupará o mesmo local que havia sido destinado à fracassada fábrica de LCDs da Foxconn, anunciada com pompa em 2017, mas que se tornou um projeto abandonado e envolto em controvérsias poucos anos depois.
Batizado de “Fairwater”, o projeto já nasce com ambições elevadas: será, segundo a própria Microsoft, o data center de IA mais poderoso do mundo. O anúncio foi feito por Satya Nadella, CEO da empresa, por meio de sua conta oficial na rede social X (antigo Twitter), destacando o papel estratégico do centro para o futuro da computação em nuvem e da inteligência artificial.
Com um investimento que ultrapassará os US$ 7 bilhões, sendo US$ 3,3 bilhões destinados à primeira fase, o complexo terá três grandes prédios com uma área total construída de aproximadamente 111 mil metros quadrados, distribuídos em um terreno de 127 hectares. As instalações abrigarão “centenas de milhares” de GPUs NVIDIA Blackwell GB200, interligadas por uma malha de fibra óptica suficientemente extensa para dar a volta ao planeta 4,5 vezes.
A Microsoft estima que esse conjunto computacional oferecerá um desempenho até dez vezes superior ao dos supercomputadores mais rápidos da atualidade, marcando um novo patamar de capacidade em treinamentos de modelos de IA em larga escala. De acordo com a empresa, a infraestrutura deverá impulsionar diversos serviços baseados em inteligência artificial, desde suas próprias plataformas como o Copilot no Microsoft 365, até soluções voltadas para jogos, como o recém-lançado Gaming Copilot, que será integrado ao Windows e ao Xbox mobile.
Preocupações com o impacto ambiental de grandes centros de dados levaram a Microsoft a apostar em um design ecológico e de baixo consumo hídrico. O Fairwater utilizará um sistema de resfriamento líquido em circuito fechado, o que significa que a água será utilizada uma única vez e, depois de selada, não sofrerá evaporação. A medida busca minimizar o impacto sobre os recursos hídricos locais, algo essencial para manter a aceitação da comunidade e atender às metas de sustentabilidade da empresa.
Além disso, a Microsoft destacou que tem investido fortemente na ampliação da capacidade energética limpa para sustentar suas operações. Em 2024, a companhia adicionou mais de 2 gigawatts de nova capacidade energética – o equivalente à produção de duas usinas nucleares – o que levanta debates sobre os efeitos desses projetos nos custos de energia para consumidores comuns.
O anúncio do data center Fairwater não acontece isoladamente. Ele integra uma estratégia mais ampla da Microsoft de expandir sua infraestrutura para IA com múltiplos centros de dados semelhantes sendo desenvolvidos nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, o projeto também representa uma reviravolta simbólica para o estado de Wisconsin: após anos de frustração com o projeto abandonado da Foxconn, a região volta a ganhar protagonismo no mapa da tecnologia global com uma promessa concreta de inovação, empregos e investimento de longo prazo.