Astrofísico de Harvard levanta hipótese de que objeto interestelar pode ser nave alienígena

Publicado em 26/08/25 às 16:11

O renomado astrofísico de Harvard, Avi Loeb, voltou a causar polêmica na comunidade científica ao sugerir que um corpo celeste recém-descoberto pode não ser um cometa comum, mas sim uma nave de origem artificial. O objeto, batizado de 3I/Atlas, foi identificado em julho de 2025 pelo telescópio do projeto ATLAS e já intriga pesquisadores por suas características incomuns.

Trata-se do terceiro visitante interestelar confirmado em nosso Sistema Solar, depois de Oumuamua (2017) e Borisov (2019). No entanto, segundo Loeb, a novidade está no tamanho e no comportamento do 3I/Atlas. Enquanto os objetos anteriores eram centenas de vezes menores, este possui dimensões superiores às da ilha de Manhattan, o que levanta dúvidas sobre sua origem natural.

Em entrevista à emissora Fox 10 Phoenix, o astrofísico destacou que a intensidade do brilho do objeto não se assemelha ao de um cometa ou meteoro, mas sim à reflexão da luz solar em uma superfície sólida. “É ilógico que o terceiro objeto interestelar observado seja 100 vezes maior do que os anteriores e que não tenhamos registrado nada intermediário”, afirmou.

Outro ponto levantado pelo pesquisador é a raridade estatística. De acordo com os cálculos, objetos rochosos desse porte vindos do espaço interestelar só deveriam aparecer uma vez a cada 10 mil anos ou mais, tornando improvável a coincidência de sua detecção em um intervalo tão curto de pesquisas.

A NASA, por outro lado, classifica o 3I/Atlas como um cometa. Segundo a agência, ele não representa ameaça à Terra, já que passará a pelo menos 1,6 unidades astronômicas de distância — aproximadamente 150 milhões de quilômetros. O ponto de maior aproximação com o Sol está previsto para 29 de outubro de 2025, quando a Terra estará do lado oposto da órbita.

Para Loeb, esse detalhe é ainda mais intrigante. Ele argumenta que o objeto parece estar “evitando” nosso planeta, já que o momento de maior proximidade não poderá ser observado diretamente daqui. Além disso, o cientista ressalta que, ao contrário do que se espera de um cometa ao se aproximar do Sol, o 3I/Atlas não apresenta a formação de cauda característica pela liberação de gases.

Imagens recentes do Telescópio Espacial Hubble mostraram um brilho em torno do corpo celeste, mas curiosamente posicionado à frente da direção do Sol, em vez de atrás, como ocorre com cometas tradicionais.

Imagem capturada pelo telescópio Hubble do 3I ATLAS, mostrando que ele brilha mais que os demais objetos ao redor / Reprodução: Nasa

Enquanto a comunidade científica mantém cautela, aguardando mais observações, Loeb insiste que as evidências desafiam explicações convencionais e podem abrir espaço para a hipótese de que se trata de uma nave alienígena.