Hiroshima | 80 anos do ataque nuclear que mudou a história do mundo
Por Sandro Felix
Publicado em 10/08/25 às 07:35
No dia 6 de agosto de 1945, às 8h15 da manhã, o mundo testemunhou o início de uma nova e sombria era. Foi nesse momento que os Estados Unidos lançaram a primeira bomba nuclear sobre a cidade japonesa de Hiroshima, um ataque que, junto ao bombardeio de Nagasaki dias depois, acelerou a decisão do Japão de se render na Segunda Guerra Mundial e inaugurou a era nuclear. O artefato, apelidado de Little Boy, foi lançado pelo bombardeiro norte-americano B-29 Enola Gay, tendo como alvo a Ponte Aioi.
Apesar de seu poder ser considerado pequeno em comparação com armas nucleares modernas — equivalente a 12,5 quilotons de TNT —, a detonação, ocorrida a cerca de 6.234 metros de altitude, destruiu 12,9 km² da cidade. Em apenas um segundo, formou-se uma bola de fogo de 274 metros de diâmetro, elevando a temperatura do solo a cerca de 3.871 °C. A explosão vaporizou pessoas e animais, derreteu estruturas metálicas e destruiu dois terços das construções. Cerca de 80 mil pessoas morreram instantaneamente; outras 100 mil perderiam a vida até o fim daquele ano, em consequência dos ferimentos e da radiação.
Enquanto o Enola Gay cumpria sua missão, outro avião, o Necessary Evil, registrava o momento histórico. O fotógrafo Russell Gackenbach relataria mais tarde que não sabia que estava presenciando a primeira detonação nuclear da história, mas capturou imagens que se tornariam um símbolo sombrio do poder destrutivo da humanidade.
O epicentro da explosão ficou praticamente sobre o prédio da Exposição Comercial da Prefeitura de Hiroshima, que sobreviveu parcialmente à devastação. Hoje, sua estrutura esquelética, conhecida como Cúpula da Bomba Atômica, permanece como memorial e alerta contra os perigos da guerra nuclear.
Apesar da magnitude do ataque, inicialmente houve pouca compreensão no Japão sobre o ocorrido. Muitos cientistas se recusavam a acreditar que os Estados Unidos tivessem desenvolvido e utilizado uma arma atômica. Quando o governo central recebeu informações preliminares, a rendição já estava sendo discutida, formalizando-se em 10 de agosto de 1945.
Estudos posteriores mostraram que os efeitos da radiação se estenderam por décadas. Entre cinco e seis anos após o bombardeio, houve aumento significativo nos casos de leucemia entre sobreviventes. Anos depois, também foi registrado crescimento nas ocorrências de câncer de tireoide, pulmão e mama.
Oito décadas depois, as imagens da nuvem em forma de cogumelo continuam impressionantes, mas a verdadeira dimensão da tragédia é percebida no sofrimento humano e na destruição que deixou cicatrizes permanentes na cidade e em seus habitantes.
Embora os eventos de Hiroshima e Nagasaki pareçam distantes, a ameaça nuclear ainda persiste. Recentes movimentos estratégicos, como a decisão dos Estados Unidos de reposicionar submarinos equipados com ogivas nucleares mais potentes que as usadas em 1945, mostram que o risco continua presente no cenário geopolítico global.
O aniversário de 80 anos do ataque é um lembrete sombrio de que, apesar do avanço tecnológico e diplomático, a humanidade ainda vive sob a sombra da mesma arma que destruiu Hiroshima naquela manhã de verão em 1945.