Lealdade de clientes à Tesla despenca nos EUA após apoio de Elon Musk a Donald Trump

Publicado em 06/08/25 às 16:32

A Tesla, que por anos liderou o mercado automotivo norte-americano em fidelidade de clientes, viu sua base de consumidores fiéis desmoronar após o CEO Elon Musk declarar apoio ao presidente Donald Trump. A informação é baseada em dados inéditos obtidos pela agência Reuters e fornecidos pela S&P Global Mobility.

Segundo a pesquisa, a lealdade dos consumidores da Tesla atingiu seu auge em junho de 2024, quando 73% das famílias norte-americanas que já possuíam um veículo da marca optaram por adquirir outro modelo da montadora ao comprar um novo carro. No entanto, essa taxa começou a cair rapidamente em julho, mês em que Musk apoiou publicamente Trump após um atentado contra o então candidato republicano na Pensilvânia.

Em março de 2025, a taxa de fidelidade atingiu seu menor nível: 49,9%, ficando abaixo da média da indústria automotiva nos EUA. O índice voltou a subir ligeiramente em maio, alcançando 57,4%, colocando a Tesla novamente acima da média do setor, mas ainda atrás de rivais como Chevrolet e Ford.

Para o analista Tom Libby, da S&P Global, a queda acentuada é sem precedentes. “Nunca vi uma queda tão rápida em tão pouco tempo”, afirmou.

Especialistas apontam que o envolvimento político de Musk afastou consumidores que, em sua maioria, pertencem a uma base preocupada com questões ambientais e com forte inclinação democrata. “Se esses clientes têm uma tendência política mais progressista, é natural que considerem outras marcas além da Tesla”, disse Seth Goldstein, analista da Morningstar.

Além das questões políticas, a Tesla também enfrenta desafios comerciais significativos. A linha de modelos da marca tem envelhecido diante de uma concorrência crescente, com novas opções elétricas sendo lançadas por montadoras tradicionais como General Motors, Hyundai e BMW. O único novo modelo da Tesla desde 2020, a polêmica picape Cybertruck, não alcançou o sucesso esperado, apesar das previsões otimistas de Musk.

Durante uma conferência com investidores em abril, o diretor financeiro da Tesla, Vaibhav Taneja, citou “atos de vandalismo e hostilidade injustificada” contra a empresa como fatores que afetaram a imagem da marca. Também mencionou semanas de produção perdida durante a adaptação de fábricas para a nova versão do Model Y, modelo mais vendido da Tesla.

Mesmo assim, Musk afirmou na ocasião que “não vê redução na demanda, exceto por questões macroeconômicas”.

No entanto, os números mostram uma realidade diferente: as vendas de veículos Tesla caíram 8% nos Estados Unidos nos cinco primeiros meses de 2025 e despencaram 33% na Europa no primeiro semestre do ano, onde o envolvimento político de Musk gerou forte reação negativa do público.

Garrett Nelson, analista da CFRA Research, considera que o ativismo político de Musk aconteceu em um momento delicado. “Foi um péssimo timing, justamente quando a Tesla enfrenta concorrência acirrada de montadoras chinesas e tradicionais”, declarou. Segundo ele, a principal preocupação agora é recuperar a imagem da marca e conter a perda de mercado.

A pesquisa da S&P também revelou que, até julho de 2024, a Tesla conquistava, em média, quase cinco novos lares para cada um que perdia para outra montadora. Mas desde fevereiro, esse número caiu para menos de dois, o menor nível já registrado. Marcas como Rivian, Polestar, Porsche e Cadillac agora atraem mais clientes da Tesla do que perdem para ela.

Apesar do cenário desfavorável, alguns investidores mantêm otimismo. Brian Mulberry, da Zacks Investment Management, acredita que os lucros futuros da Tesla virão da aposta em robotáxis e da venda de tecnologia de direção autônoma para outras montadoras. A Tesla iniciou testes limitados de robotáxis em Austin, Texas, em junho, mas o serviço ainda não está disponível ao público.

“Se a Tesla conseguir expandir essa tecnologia, há quem diga que ela nem precisará mais vender carros e caminhões”, afirmou Mulberry.