Trump lança plano ambicioso de IA para superar a China na corrida tecnológica
Por Sandro Felix
Publicado em 24/07/25 às 16:47
O governo dos Estados Unidos, sob a liderança do presidente Donald Trump, apresentou nesta quarta-feira (23) um ambicioso plano nacional para consolidar a liderança americana na corrida global pela Inteligência Artificial (IA). Intitulado oficialmente “Winning the AI Race: America’s AI Action Plan” (Vencendo a Corrida da IA: O Plano de Ação da América para a IA), o documento detalha mais de 90 ações de política pública voltadas ao fomento da inovação, regulação estratégica e reforço da infraestrutura tecnológica. A elaboração do plano contou com a participação da sociedade civil e especialistas, reunindo mais de 10 mil contribuições públicas.
O plano é resultado direto da ordem executiva assinada por Trump em janeiro, que visava eliminar barreiras à liderança dos EUA no setor. “Vencer a corrida da IA trará uma nova era de prosperidade humana, competitividade econômica e segurança nacional para o povo americano”, afirma o comunicado oficial da Casa Branca.
Segundo o documento, a Inteligência Artificial é tratada como uma prioridade de segurança nacional e uma alavanca econômica decisiva. O governo americano busca garantir uma supremacia incontestável no campo da IA e acelerar a superação de rivais estratégicos, especialmente a China. A iniciativa também visa remodelar padrões globais e desencadear uma nova revolução industrial e informacional.
Entre os principais pontos do plano está a desregulamentação do setor, com o objetivo de eliminar entraves burocráticos herdados da administração Biden. Com isso, empresas de tecnologia poderão operar com maior liberdade, impulsionando pesquisa, desenvolvimento e experimentação ágil. O plano também prevê incentivos para softwares de código aberto e apoio direto ao setor privado.
A proposta defende que a IA deve complementar e não substituir a força de trabalho humana. Em um cenário em que a automação tem contribuído para cortes de empregos, o plano propõe capacitação técnica em escolas, programas de aprendizagem, benefícios fiscais para funcionários que invistam em alfabetização digital e requalificação rápida de trabalhadores deslocados. Está prevista ainda a criação de um novo centro de pesquisa para a força de trabalho em IA, o “AI Workforce Research Hub”.
Reforçando a promessa de Trump de trazer empregos de volta aos Estados Unidos, o plano também apresenta estratégias para revitalizar a indústria nacional adaptada à era da Inteligência Artificial. Estão previstas grandes injeções de recursos em robótica, sistemas autônomos e fabricação voltada à defesa. Pequenas empresas de tecnologia, muitas vezes carentes de financiamento, serão contempladas com apoio federal para garantir resiliência nas cadeias de suprimento.
Outro eixo estratégico do plano é tornar a ciência americana orientada por IA. Para isso, o governo prevê a construção de laboratórios automatizados e o financiamento de descobertas impulsionadas por IA em áreas como biologia, química e ciência dos materiais. Também está programada a liberação de grandes conjuntos de dados científicos em acesso aberto, incluindo informações genômicas coletadas em terras federais.
Na área da defesa, a adoção da IA será acelerada tanto em agências federais quanto nas Forças Armadas. Para atender à alta demanda computacional da IA — que exige grande capacidade energética — o plano propõe a aceleração na emissão de licenças para centros de dados, fábricas de semicondutores e projetos de energia. Também está prevista a expansão das fontes nucleares e geotérmicas.
A segurança é outro pilar do plano. Os EUA pretendem endurecer o controle sobre exportações de semicondutores, especialmente para conter o acesso chinês, além de trabalhar em conjunto com o setor privado para proteger a propriedade intelectual. Para combater conteúdos enganosos como deepfakes, o plano propõe o estabelecimento de novos padrões legais.
Na frente diplomática, os EUA pretendem liderar a exportação de sua estrutura tecnológica de IA a países aliados, além de barrar o avanço da influência chinesa em órgãos reguladores internacionais. Haverá também um esforço coordenado para alinhar os controles de exportação de IA entre nações parceiras.
Com essa iniciativa, a administração Trump busca não apenas fortalecer a posição dos Estados Unidos na liderança da IA, mas também moldar os rumos da inovação tecnológica no cenário internacional.