IA como melhor amiga: adolescentes estão buscando apoio emocional em chatbots – é hora de se preocupar?

Publicado em 15/07/25 às 17:37

A inteligência artificial (IA) está transformando a forma como trabalhamos e otimizamos o tempo, mas também levanta preocupações crescentes sobre seu impacto na segurança e no desenvolvimento infantil. Um novo relatório da organização britânica de segurança na internet (UK Safer Internet Centre), alerta para os riscos envolvidos no uso de chatbots de IA por crianças e adolescentes.

Intitulado “Me, Myself & I: Understanding and safeguarding children’s use of AI chatbots”, o estudo entrevistou mil crianças e dois mil pais no Reino Unido. Os resultados indicam que cerca de 64% das crianças utilizam chatbots como o ChatGPT, o My AI do Snapchat e o Character.ai para uma ampla gama de finalidades – desde ajuda com deveres escolares até conselhos emocionais e busca por companhia.

De acordo com o relatório, embora as crianças estejam usando a tecnologia de forma “diversificada e imaginativa”, há sinais de que esses usos podem ultrapassar os limites esperados. Aproximadamente 42% dos entrevistados entre 9 e 17 anos utilizam os bots de IA para tarefas como revisão de conteúdo, escrita e prática de idiomas.

Mais preocupante ainda é que quase um quarto das crianças afirmou usar chatbots para obter conselhos sobre o que vestir, como conversar com amigos ou até mesmo para discutir questões de saúde mental. Cerca de 15% dos entrevistados revelaram preferir conversar com um chatbot do que falar com uma pessoa real. Entre os que procuram esse tipo de interação por solidão, um em cada seis declarou usar a IA porque queria um amigo – e, dentro desse grupo, metade afirmou sentir que “falar com um chatbot é como conversar com um amigo”.

Outro dado alarmante mostra que 58% das crianças preferem usar um chatbot de IA em vez de procurar informações diretamente na internet. Embora 62% dos pais tenham demonstrado preocupação com a veracidade das informações geradas por IA, apenas 34% conversaram com seus filhos sobre como avaliar se a resposta de um chatbot é confiável ou não.

Para reduzir os riscos associados ao uso da tecnologia por crianças, o relatório defende uma abordagem sistêmica envolvendo governo, escolas, famílias e especialistas. Entre as recomendações, estão a implementação de controles parentais, regulamentações governamentais mais claras e o fortalecimento da educação em IA e letramento midiático nas escolas. O estudo também sugere que os professores sejam capacitados para identificar e lidar com os riscos relacionados à inteligência artificial.

Diante dos dados revelados, o relatório evidencia um alerta claro: embora os chatbots de IA ofereçam benefícios educacionais e de acessibilidade, seu uso sem supervisão adequada pode representar riscos significativos ao bem-estar infantil. O desafio agora é construir um ecossistema digital mais seguro, que envolva políticas públicas, conscientização familiar e ações educativas nas escolas. Afinal, garantir que crianças cresçam em um ambiente tecnológico saudável é responsabilidade coletiva – e urgente.