Morre Vatsala, a elefanta mais velha do mundo, com mais de 100 anos de idade

Publicado em 14/07/25 às 16:21

A elefanta asiática mais velha do mundo, Vatsala, morreu no início deste mês aos impressionantes 100 anos de idade, um feito extremamente raro na natureza. O falecimento ocorreu na Reserva de Tigres de Panna, no estado de Madhya Pradesh, na Índia Central, onde ela era considerada uma verdadeira matriarca.

A notícia foi confirmada por Anupam Sharma, do Serviço Florestal da Índia, por meio das redes sociais.

Com o coração pesado, nos despedimos de Vatsala, matriarca centenária da Reserva de Panna. Sua presença gentil inspirava admiração em todos que a encontravam, escreveu Sharma.

Obrigado, Vatsala, por incontáveis operações de resgate e por cuidar de tantos filhotes de elefante. Seu legado viverá para sempre.

Vatsala, a elefanta mais velha do mundo / Imagem: Reprodução

Nascida nas florestas tropicais de Kerala, no sul da Índia, Vatsala passou os primeiros anos de sua vida carregando toras de madeira, uma prática comum na região em décadas passadas. Em 1972, foi transferida para Madhya Pradesh, já com idade estimada acima dos 50 anos. Em 1993, ela foi levada para a Reserva de Panna, onde viveu até sua morte.

Apesar de não possuir presas e nunca ter se acasalado, Vatsala desempenhou um papel maternal e protetor dentro do grupo de elefantes. Segundo relatos de seu cuidador, Maniram, ela era como uma avó para os filhotes. “Ela cuidava de todos. Orientava, protegia. Mas sempre mantinha distância dos machos”, contou ao Times of India.

Essa cautela, porém, não foi suficiente para evitar episódios trágicos. Vatsala foi atacada violentamente por um elefante macho chamado Ram Bahadur em duas ocasiões – uma em 2003 e outra em 2008. O primeiro ataque causou ferimentos internos graves, exigindo nove meses de cuidados intensivos.

Em 2020, já debilitada pela idade, Vatsala perdeu a visão devido à catarata. Mesmo assim, continuou caminhando pelas trilhas da floresta, sempre guiada com carinho e paciência por Maniram. Sua rotina tranquila e respeitada simbolizava o elo profundo entre humanos e elefantes em ambientes de conservação.

Apesar da impressionante longevidade, Vatsala não pôde ser reconhecida oficialmente pelo Guinness World Records, pois não havia documentação formal de seu nascimento. O título de elefante mais velho já registrado pertence a Lin Wang, que morreu aos 86 anos em 2003, no Zoológico de Taipei.

O caso de Vatsala desperta também reflexões científicas. Animais de grande porte, como elefantes, baleias e tartarugas gigantes, tendem a viver mais do que os menores. Ainda que tenham mais células – o que, teoricamente, aumentaria o risco de mutações e doenças –, eles desenvolveram mecanismos naturais para manter esses riscos sob controle. A longevidade desses animais segue sendo um enigma intrigante para os pesquisadores.

A morte de Vatsala deixa um vazio na Reserva de Panna, mas também um legado incomparável de resiliência, empatia e dedicação. Uma vida longa, marcada por desafios superados, companheirismo silencioso e uma conexão especial com a natureza.