Cientistas desenvolvem pele elétrica que permite aos robôs sentirem toques, calor e até dor
Por Sandro Felix
Publicado em 09/07/25 às 16:13
Um grupo de cientistas pode ter dado um passo decisivo rumo à criação de robôs com capacidade de “sentir” estímulos físicos, graças ao desenvolvimento de uma nova pele elétrica. A inovação, divulgada recentemente na revista Science Robotics, utiliza um material à base de gelatina que conduz eletricidade e é altamente maleável, imitando as propriedades da pele humana.
Segundo os pesquisadores, essa “pele eletrônica” é capaz de detectar sinais físicos por meio de eletrodos conectados a caminhos condutores internos, reconhecendo toques leves, variações de temperatura e até mesmo sensações de dor. Essa façanha é possível graças a um sensor multimodal, único, que interpreta diferentes tipos de estímulos físicos e os transforma em sinais eletrônicos.
Contudo, o caminho até essa conquista enfrentou obstáculos técnicos. Entre os principais desafios estavam a interferência entre os sinais captados por diferentes sensores e a fragilidade do material, que por ser macio se danificava com facilidade. Ainda assim, o avanço representa um marco importante no campo da robótica tátil, considerada a próxima grande fronteira da área.
Não chegamos ao ponto em que a pele robótica se iguala à pele humana, mas acreditamos que essa é a melhor tecnologia disponível no momento, afirmou Thomas George Thuruthel, coautor do estudo e professor de robótica e inteligência artificial no University College London (UCL).
Durante os testes, os cientistas moldaram um hidrogel condutor em forma de mão humana e o equiparam com diferentes configurações de eletrodos. A “mão” artificial foi então submetida a uma série de estímulos, que iam desde leves toques com os dedos até situações mais extremas, como exposição ao calor intenso com um soprador térmico e cortes com bisturi. Cada interação foi minuciosamente registrada para avaliar a resposta da pele eletrônica.
No total, foram coletadas mais de 1,7 milhão de informações a partir dos mais de 860 mil caminhos condutivos da pele. Esses dados foram fundamentais para treinar um modelo de aprendizado de máquina capaz de reconhecer os diferentes tipos de toque, tornando possível sua integração em sistemas robóticos.
O próximo passo, segundo os autores do estudo, será explorar aplicações práticas da tecnologia. Entre elas, destacam-se o uso em próteses humanas, com potencial para devolver a sensação de toque a pessoas amputadas, e em áreas como o setor automotivo e missões de resgate, onde a capacidade de sentir pode ser um diferencial decisivo.