Terra alcança ponto mais distante do Sol em 2025; Entenda o que isso significa
Por Sandro Felix
Publicado em 02/07/25 às 16:45
No dia 3 de julho de 2025, às 16h54 no horário de Brasília, a Terra atingirá oficialmente seu ponto mais distante do Sol neste ano, fenômeno conhecido como afélio. Nesse momento, a distância entre o centro da Terra e o centro do Sol será de aproximadamente 152.087.738 quilômetros — cerca de 5,1 milhões de quilômetros a mais do que a menor distância registrada no início do ano, o periélio.
Apesar de muitas pessoas associarem o calor do verão à proximidade do Sol, essa percepção está equivocada. A explicação verdadeira para as estações do ano está na inclinação do eixo da Terra, e não na distância do planeta em relação à estrela. Durante o afélio, é verão no Hemisfério Norte porque essa parte do planeta está inclinada em direção ao Sol, recebendo maior incidência de luz solar. Já o Hemisfério Sul, inclinado para longe da estrela, passa pelo inverno.
A órbita da Terra ao redor do Sol não é perfeitamente circular, mas sim elíptica. Essa leve ovalização causa variações cíclicas na distância entre os dois corpos celestes ao longo do ano. No periélio, que em 2026 ocorrerá em 3 de janeiro, a Terra estará cerca de 6,8% mais próxima do Sol do que estará no afélio deste ano.
Essas datas não são fixas. Pequenas variações anuais, somadas à necessidade de anos bissextos, fazem com que o afélio e o periélio se movam gradualmente no calendário. Há um deslocamento aproximado de um dia a cada 58 anos. No fim do século XIX, por exemplo, o periélio coincidia com o dia 1º de janeiro. Já na Idade Média, os solstícios ocorriam próximos a essas datas especiais.
Outro fator curioso é que a forma da órbita terrestre também muda com o tempo. Esse fenômeno faz parte dos chamados ciclos de Milankovitch, resultantes da influência gravitacional de planetas gigantes como Júpiter e Saturno. Atualmente, vivemos um período em que a órbita da Terra é quase circular, mas isso varia em escalas de centenas de milhares de anos.
Apesar de a forma da órbita mudar, o tempo que a Terra leva para dar uma volta completa ao redor do Sol — o ano — permanece praticamente o mesmo. O que muda, porém, é a distribuição das estações: com uma órbita mais circular, os quadrantes pelos quais o planeta passa se tornam mais equilibrados, aproximando a duração das estações. Atualmente, o verão no Hemisfério Sul — que ocorre entre dezembro e março — é cerca de 4,66 dias mais curto que o inverno, enquanto o outono tem duração aproximadamente 2,9 dias menor do que a primavera.
Em resumo, o afélio de 2025 é um lembrete fascinante da complexidade do movimento terrestre e de como fatores astronômicos influenciam nossa percepção do tempo e das estações — mesmo que esses fenômenos ocorram a milhões de quilômetros de distância.