Brasileira desaparecida em vulcão na Indonésia é localizada, mas resgate enfrenta desafios críticos
Por Sandro Felix
Publicado em 23/06/25 às 16:42
As autoridades da Indonésia divulgaram na manhã desta segunda-feira (23) novos detalhes sobre a operação de resgate da brasileira Juliana Marins, de 26 anos, que estava desaparecida após sofrer um acidente no Monte Rinjani, o segundo vulcão mais alto do país, localizado na ilha de Lombok.
De acordo com informações publicadas no perfil oficial do Parque Nacional Gunung Rinjani no Instagram, Juliana foi localizada “com sucesso” graças ao monitoramento por meio de um drone. As imagens confirmaram que ela se encontra presa em um penhasco rochoso, a uma profundidade de aproximadamente 500 metros, “visualmente imóvel”.
O resgate, no entanto, tem sido marcado por sérias dificuldades. Duas equipes especializadas foram mobilizadas para chegar até o local onde Juliana está. Durante a operação, os socorristas tentaram instalar um segundo ponto de ancoragem a cerca de 350 metros de profundidade, mas encontraram duas saliências na rocha que impossibilitaram o procedimento.
Sem alternativa, as equipes iniciaram uma escalada manual pelo terreno extremamente acidentado. A missão, porém, foi severamente afetada por neblina espessa e condições climáticas instáveis, que comprometeram a visibilidade e aumentaram consideravelmente os riscos. Por questões de segurança, os socorristas precisaram recuar temporariamente para uma posição mais segura.
Em paralelo, foi realizada uma reunião emergencial via Zoom, que contou com a participação do governador da província de Sonda Ocidental. Na ocasião, o governador orientou que fossem aceleradas as tentativas de resgate, incluindo a possibilidade do uso de helicópteros, levando em consideração a chamada “janela dourada” de 72 horas, período considerado crítico para operações de salvamento na natureza.
O chefe do Escritório de Busca e Salvamento (SAR), Muhamad Hariyadi, respondeu ao governador destacando que, tecnicamente, o resgate aéreo é possível, mas depende de garantir que a aeronave tenha especificações compatíveis com a complexidade do terreno. Além disso, alertou que as rápidas mudanças climáticas da região podem inviabilizar o uso seguro do helicóptero.
Juliana Marins foi vista pela última vez no sábado (21), por volta das 17h10, em imagens captadas por um drone de outros turistas. Ela aparece sentada na encosta do penhasco, aparentemente após sofrer uma queda.
O Monte Rinjani, com 3.726 metros de altitude, é conhecido por suas trilhas desafiadoras. Considerado um dos roteiros de trekking mais difíceis da Indonésia, oferece trajetos que podem durar de dois a quatro dias, exigindo preparo físico e experiência dos visitantes. Juliana iniciou sua trilha no dia 20 de junho, com previsão de término no dia 22, em uma expedição que duraria três dias e duas noites.
Imagens publicadas em uma conta no Instagram criada pela família e amigos para divulgar informações sobre o caso mostram momentos do passeio de Juliana antes do acidente. Nas fotos, ela aparece caminhando pela vegetação, sorrindo, tirando fotos nas montanhas e até brincando com uma colega sobre a forte névoa que, na ocasião, impedia a visão da paisagem.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/s/X/DKPtuAQPG6xkW5hMmhJw/vulc.png)
As autoridades seguem monitorando as condições climáticas e ajustando as estratégias na tentativa de concluir o resgate com sucesso nas próximas horas.