Pesquisadores descobrem a maior “pista de dança” de dinossauros do mundo

Publicado em 20/06/25 às 17:30

Uma descoberta surpreendente em Colorado, nos Estados Unidos, pode mudar nossa compreensão sobre o comportamento social dos dinossauros. Marcas no solo fossilizadas, com cerca de 100 milhões de anos, indicam que esses animais realizavam verdadeiros rituais de acasalamento, semelhantes aos observados atualmente em algumas aves.

O achado foi feito na região conhecida como Dinosaur Ridge, onde pesquisadores identificaram 35 marcas chamadas de Ostendichnus, termo utilizado para descrever arranhões feitos por terópodes durante exibições de acasalamento. Destas, 25 são consideradas confiáveis, enquanto as demais ainda estão sob análise para descartar que sejam apenas marcas causadas por erosão.

Marcas no solo fossilizadas dos rituais de acasalamento / Imagem: Caldwell Buntin

Esse tipo de comportamento, conhecido como lek, é comum em várias espécies de aves atuais. Nele, os machos se reúnem em um mesmo local para realizar exibições competitivas — verdadeiras “batalhas de dança” — na tentativa de atrair as fêmeas. A fêmea, então, escolhe o parceiro mais impressionante com base nos movimentos e na performance. A descoberta indica que práticas semelhantes eram realizadas por espécies de dinossauros.

De acordo com Dr. Caldwell Buntin, professor da Old Dominion University e um dos autores do estudo, a interpretação de fósseis de pegadas e marcas é feita observando-se comportamentos atuais de animais que deixam rastros semelhantes. “O presente é a chave para o passado”, explica. Segundo ele, o estudo utilizou uma abordagem mais baseada em dados para confirmar a interpretação anterior feita pelo paleontólogo Martin Lockley, que já sugeria que as marcas estavam relacionadas a comportamentos de cortejo, e não a atividades como nidificação, escavação para busca de alimento ou demarcação de território.

Os pesquisadores também conseguiram associar essas marcas a espécies específicas. Na região do Colorado, os vestígios estão ligados ao Magnoavipes, um pequeno terópode provavelmente da família dos ornitomímidos, conhecidos por sua semelhança com as aves modernas. Em outro sítio, no Canadá, já soterrado, as marcas semelhantes foram atribuídas ao Irenesauripus, relacionado ao predador Acrocanthosaurus.

Erin LaCount, diretora de programas educacionais da Dinosaur Ridge, destacou a importância da descoberta em entrevista à revista Science. “Esse sítio indica que esse não era um comportamento isolado. Antes tínhamos registros de dois, talvez três locais de exibição. Agora são mais de 30 marcas no mesmo estudo, o que pode fazer deste a maior ‘arena de dança’ de dinossauros do mundo.”

Outro detalhe curioso é que, assim como ocorre com algumas espécies de aves atuais, esses locais de dança também poderiam ter sido reutilizados como ninhos após o período de acasalamento.

O mais empolgante é que parte desse sítio está aberta à visitação pública. “A nova arena pode ser acessada diretamente pela trilha interpretativa em Dinosaur Ridge”, afirmou Buntin, embora algumas áreas permaneçam protegidas e não sejam divulgadas ao público geral.

O estudo completo foi publicado na revista científica Cretaceous Research e abre novas portas para o entendimento sobre a vida social dos dinossauros, demonstrando que, muito antes das pistas de dança modernas, os dinossauros já dominavam a arte da conquista com seus próprios “passos de dança”.