Estudo revela que instabilidade no eixo de Marte foi decisiva para seu colapso climático

Estudo revela que instabilidade no eixo de Marte foi decisiva para seu colapso climático

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Publicado em 17/06/25 às 17:25

Cientistas do Instituto de Astrofísica de Andalucía (IAA-CSIC) identificaram um dos fatores-chave que explicam como Marte passou de um planeta com vastos oceanos para se tornar o deserto gelado que conhecemos atualmente. A pesquisa, publicada na revista Nature Astronomy, aponta que a principal responsável por essa transformação foi a instabilidade da obliquidade marciana — ou seja, as variações extremas na inclinação do eixo de rotação do planeta, que alteraram profundamente seu clima ao longo de bilhões de anos.

Ao contrário da Terra, cuja inclinação axial permanece relativamente estável graças à influência gravitacional da Lua, Marte não conta com um satélite de grande massa capaz de desempenhar esse papel estabilizador. Como resultado, o eixo de Marte sofreu oscilações drásticas durante sua história, afetando diretamente sua dinâmica atmosférica e, especialmente, o processo de perda de hidrogênio — elemento fundamental na composição da água.

Segundo Gabriella Gilli, pesquisadora do IAA-CSIC e coautora do estudo, a obliquidade de Marte foi tudo menos estável, e essas flutuações tiveram impactos severos na sua atmosfera. Utilizando o Mars Planetary Climate Model (Mars-PCM), um sofisticado modelo climático tridimensional desenvolvido em parceria com instituições internacionais, os pesquisadores simularam diferentes períodos da história do planeta. As simulações demonstraram que, quando a inclinação do eixo marciano atingia valores muito elevados, os polos recebiam uma quantidade significativamente maior de radiação solar. Esse aumento de calor provocava o aquecimento intenso das camadas superiores da atmosfera, o que facilitava a fuga massiva de hidrogênio para o espaço.

obliquidade marciana

Francisco González-Galindo, também autor do estudo, destaca que, em fases de alta obliquidade, a taxa de escape de hidrogênio poderia ter sido até 20 vezes maior que a atual. Esse processo acelerado de perda de hidrogênio está diretamente relacionado à evaporação e dissociação da água, contribuindo de forma decisiva para o desaparecimento dos antigos oceanos de Marte.

marte com águaMarte possuía vastos oceanos em seu passado / Imagem: Reprodução

Apesar disso, os cientistas acreditam que parte da água marciana pode não ter sido completamente perdida. Existem fortes indícios de que reservas significativas estejam escondidas abaixo da superfície, na forma de gelo ou aprisionadas em minerais hidratados. Essa hipótese fortalece a importância das missões espaciais futuras, que terão um papel crucial na busca por água subterrânea. Além de ajudar a desvendar a história climática de Marte, essa busca é fundamental para compreender o potencial do planeta em ter abrigado vida no passado e para avaliar as condições de viabilidade para futuras missões tripuladas.

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