É questão de tempo para estourar uma Terceira Guerra Mundial?
Por Sandro Felix
Publicado em 14/06/25 às 16:54
O mundo vive um dos momentos mais tensos desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A escalada de conflitos simultâneos em diversas partes do planeta, somada à crescente retórica nuclear de potências globais, levanta um questionamento que até pouco tempo parecia pertencer apenas à ficção: seria apenas uma questão de tempo até que uma Terceira Guerra Mundial eclodisse?
No Oriente Médio, o recente ataque de Israel às instalações nucleares do Irã acirrou ainda mais as tensões. As ações, que miraram centros estratégicos em Natanz e Isfahan, deixaram dezenas de mortos, incluindo cientistas e membros da Guarda Revolucionária iraniana. Em resposta, Teerã prometeu vingança, intensificando os temores de uma escalada que poderia arrastar potências mundiais para o conflito.
A diretora de inteligência dos Estados Unidos, Tulsi Gabbard, fez declarações alarmantes, afirmando que “o mundo está mais perto do que nunca de uma aniquilação nuclear”. As palavras ecoam enquanto líderes mundiais trocam acusações e ameaças, elevando o nível de tensão diplomática.
Paralelamente, a guerra entre Rússia e Ucrânia segue sem previsão de cessar-fogo. Nos últimos meses, Moscou endureceu sua postura, ameaçando com o uso de armas nucleares táticas e intensificando ataques não apenas em território ucraniano, mas também mirando infraestrutura crítica de países da Otan.
No Indo-Pacífico, o cenário não é menos preocupante. A China avança em sua estratégia de anexação de Taiwan, realizando exercícios militares constantes e consolidando alianças estratégicas com Rússia, Coreia do Norte e Irã. Especialistas apontam que Pequim pode estar preparando uma intervenção direta até 2027, o que poderia desencadear uma reação em cadeia envolvendo os Estados Unidos e seus aliados.
Além dos grandes polos de tensão, outros conflitos menores, mas não menos graves, alimentam o quadro de instabilidade global. Na África, a guerra civil na região de Amhara, na Etiópia, já deixou milhares de mortos e deslocados, enquanto na Somália, o grupo extremista al-Shabaab intensificou seus ataques, resultando em centenas de vítimas apenas nos últimos meses.
Na Ásia, o conflito interno em Myanmar se agrava com a atuação de grupos rebeldes contra o regime militar, especialmente na região de Rakhine, que ainda sofre os efeitos de um forte terremoto ocorrido no início do ano. Na fronteira entre Tailândia e Camboja, confrontos esporádicos voltaram a ocorrer, reacendendo disputas territoriais históricas.
Em meio a esse cenário, cresce o temor entre a população mundial. Pesquisas recentes apontam que entre 41 % e 55 % dos europeus acreditam que uma Terceira Guerra Mundial pode ocorrer nos próximos cinco a dez anos. Nos Estados Unidos, esse percentual chega a 45 %, com a maioria temendo, inclusive, o uso de armas nucleares.
Governos já começaram a se preparar para cenários extremos. Países como Irlanda, Alemanha e Suécia divulgaram manuais de emergência à população, recomendando estoque de alimentos, água, medicamentos e até a construção de abrigos.
O Relógio do Juízo Final, que simboliza a proximidade da humanidade de um cataclismo global, permanece ajustado a apenas 90 segundos da meia-noite — o ponto mais crítico desde sua criação, em 1947.
Se décadas atrás a Terceira Guerra Mundial parecia um temor distante, hoje, diante da combinação de rivalidades geopolíticas, avanço de arsenais nucleares, crises econômicas e climáticas, e instabilidade política, essa possibilidade se torna cada vez mais uma questão de quando, e não mais de se irá acontecer.