Estudo revela que peixes sofrem dor intensa por até 10 minutos ao serem abatidos

Publicado em 12/06/25 às 16:37

Um novo estudo publicado na revista Scientific Reports revelou uma realidade alarmante sobre o sofrimento dos peixes durante o processo de abate. Segundo a pesquisa, trutas arco-íris submetidas ao método de asfixia aérea — uma prática comum na indústria da pesca — podem sentir dor intensa por até dez minutos antes de perderem a consciência. Em casos extremos, esse sofrimento pode durar até 22 minutos, dependendo de fatores como o tamanho do animal e a temperatura da água.

A pesquisa utilizou um método inovador chamado Welfare Footprint Framework (WFF), desenvolvido pelo Center for Welfare Metrics, que permite mensurar o bem-estar animal por meio de um índice temporal. Essa ferramenta traduz experiências subjetivas, como dor física e medo, em métricas que indicam o tempo que os animais passam em estados negativos ou positivos de intensidade variável.

O estudo chama a atenção para a escala do problema: estima-se que cerca de 2,2 trilhões de peixes selvagens e 171 bilhões de peixes criados em cativeiro são mortos todos os anos em todo o mundo para consumo humano. Esse número equivale a aproximadamente 70 mil peixes mortos por segundo, considerando apenas os peixes selvagens. Essa magnitude levanta preocupações éticas e coloca em xeque a sustentabilidade dos métodos de produção animal que não consideram o bem-estar.

Além de analisar a dor provocada pela asfixia, o estudo também investigou métodos alternativos de abate, como a insensibilização elétrica e a percussiva. Os resultados mostraram que, quando corretamente implementada, a eletrocussão pode evitar de 60 a 1.200 minutos de dor moderada a intensa por cada dólar investido. A insensibilização percussiva também mostrou bom potencial, mas ainda apresenta desafios para sua aplicação consistente em contextos comerciais.

Outro dado preocupante do estudo diz respeito às etapas anteriores ao abate, como o transporte e o agrupamento dos peixes, que frequentemente são negligenciadas pelas regulamentações. Essas práticas podem provocar ainda mais sofrimento cumulativo do que o próprio momento do abate, e os autores do estudo destacam a importância de considerar esses fatores em políticas públicas e certificações de bem-estar animal.

O estudo conclui que o sofrimento animal precisa ser incorporado com mais rigor em avaliações de sustentabilidade e que melhorias significativas são possíveis, tanto do ponto de vista ético quanto econômico.

A ferramenta WFF oferece, pela primeira vez, uma maneira estruturada de comparar diferentes práticas de produção em relação ao impacto que geram sobre os animais. Com base nesses dados, espera-se que reguladores, consumidores e empresas possam tomar decisões mais informadas que priorizem o bem-estar animal.

O dr. Wladimir Alonso, idealizador do WFF, destacou que a ferramenta representa um avanço significativo para mensurar o sofrimento animal com base em evidências. Segundo ele, esse modelo fornece uma base sólida para decisões políticas e investimentos que visem causar o maior impacto positivo possível na vida dos animais explorados pela indústria.