Starship da SpaceX sofre nova falha em teste crucial e coloca desafios adicionais para programa de Elon Musk rumo a Marte
Por Sandro Felix
Publicado em 28/05/25 às 16:21
O foguete Starship, da SpaceX, decolou com potência do local de lançamento em Starbase, no Texas, nesta terça-feira (27), mas perdeu o controle aproximadamente na metade do voo, não conseguindo cumprir diversos objetivos importantes do teste. O incidente representa mais um desafio técnico significativo para o ambicioso programa de exploração espacial liderado por Elon Musk.
Com 122 metros de altura, o sistema de lançamento Starship é peça central dos planos de Musk para enviar humanos ao planeta Marte. A nave decolou e ultrapassou a marca dos testes anteriores — que haviam terminado em explosões e espalhado destroços sobre o Caribe —, mas não alcançou uma trajetória orbital completa como planejado.
Nesta que foi a nona missão de teste completo desde abril de 2023, o veículo superior do Starship foi lançado ao espaço acoplado a um propulsor reutilizado, marcando a primeira demonstração do tipo na tentativa de validar a reutilização da parte inferior do sistema.
No entanto, a SpaceX perdeu contato com o propulsor de 70 metros durante a descida. Em vez de realizar o pouso controlado programado, a peça caiu no oceano sem controle. A nave superior, por sua vez, continuou a trajetória até o espaço suborbital, mas começou a girar descontroladamente cerca de 30 minutos após o lançamento.
Entre os objetivos falhos, estava a liberação de oito satélites simulados da rede Starlink, mecanismo comparado a um “dispensador de doces”, que não funcionou como projetado. “Não parece bom com muitos dos nossos objetivos em órbita hoje”, comentou o apresentador da SpaceX, Dan Huot, durante a transmissão ao vivo da empresa.
Elon Musk estava previsto para fazer um pronunciamento após o teste, em uma apresentação intitulada “O Caminho para Tornar a Vida Multiplanetária”. Contudo, horas depois, ainda não havia se manifestado publicamente.
Em postagem na rede X (antigo Twitter), Musk destacou como positivo o desligamento programado de um motor da nave em órbita, repetindo um feito de testes anteriores. Ele atribuiu a perda de controle a um vazamento no tanque principal de combustível do Starship. “Muitos dados bons para revisar”, escreveu o bilionário, acrescentando que a cadência de lançamentos nos próximos meses será acelerada, com uma missão a cada três a quatro semanas.
A SpaceX afirmou que os modelos de Starship lançados este ano incorporam melhorias significativas em relação aos protótipos anteriores. Milhares de funcionários trabalham para desenvolver um foguete multifuncional capaz de lançar grandes quantidades de satélites, levar humanos de volta à Lua e, futuramente, até Marte.
Apesar dos recentes obstáculos, a cultura de engenharia da SpaceX é reconhecida por aceitar mais riscos do que outras empresas tradicionais do setor aeroespacial, utilizando testes em voo até o ponto de falha como estratégia de aprendizado e aprimoramento contínuo.
O plano original para o teste desta terça-feira incluía uma órbita quase completa ao redor da Terra e um pouso controlado no Oceano Índico, com o objetivo de testar novos escudos térmicos e flaps atualizados para o retorno atmosférico. No entanto, a missão terminou com a nave se transformando em uma bola de fogo visível no céu noturno sobre o sul da África.
A falha representa um novo revés para os planos de desenvolvimento rápido de Musk, especialmente diante do papel essencial que o Starship deverá desempenhar no programa espacial dos Estados Unidos. A NASA, inclusive, pretende usar o veículo para levar astronautas à Lua em 2027, embora o programa lunar enfrente turbulências ligadas à crescente influência da agenda marciana de Musk na administração do presidente Donald Trump.