Sítio fóssil no Canadá intriga cientistas com milhares de ossos de dinossauros
Por Sandro Felix
Publicado em 22/05/25 às 16:47
Um sítio paleontológico no noroeste de Alberta, no Canadá, está ganhando destaque internacional ao revelar uma das maiores concentrações de fósseis de dinossauros já registradas. Batizado de “Rio da Morte”, o local abriga milhares de ossos do Pachyrhinosaurus, um herbívoro pré-histórico que viveu há aproximadamente 72 milhões de anos.
A área foi identificada pela primeira vez em 1974 por um professor do ensino médio da região. Desde então, o sítio tem sido escavado por equipes de paleontólogos e se tornou referência mundial para pesquisas sobre o período Cretáceo. Até agora, mais de 8.000 ossos já foram encontrados sob as encostas da região conhecida como Deadfall Hills.
De acordo com a pesquisadora Emily Bamforth, a densidade de fósseis é “impressionante” e representa uma oportunidade única para entender o comportamento e o ambiente em que esses animais viveram. As escavações indicam que os restos pertencem, em sua maioria, a indivíduos da espécie Pachyrhinosaurus, um dinossauro da família dos ceratopsídeos, caracterizado por seu bico e estruturas ósseas semelhantes a chifres.
Uma das principais questões que intriga os cientistas é o motivo da morte em massa do rebanho. A principal hipótese é a de um desastre natural, possivelmente uma enxurrada repentina, que teria surpreendido os animais durante uma migração sazonal. Análises dos sedimentos encontrados sugerem a presença de água em movimento rápido, compatível com o cenário de uma inundação.
Os pesquisadores acreditam que o tamanho e a estrutura física dos Pachyrhinosaurus – animais grandes e com centro de gravidade elevado – os tornaram vulneráveis em situações como essa, dificultando a fuga. O resultado foi a fossilização de um momento trágico que, milhões de anos depois, se tornou um tesouro científico.
A importância do “Rio da Morte” vai além dos fósseis. O local também fornece dados sobre o clima e as condições ambientais do Cretáceo, o que pode contribuir para estudos sobre mudanças climáticas ao longo da história da Terra. O volume e a preservação dos ossos permitem análises detalhadas sobre aspectos anatômicos, sociais e ecológicos dos dinossauros que habitaram a região.
À medida que novas escavações são realizadas, cientistas esperam encontrar mais pistas que ajudem a explicar como viviam — e como morreram — esses animais. A expectativa é de que o sítio continue revelando informações valiosas por muitos anos, até mesmo revelando algo ainda inédito na paleontologia.