Nova pesquisa indica que o asteroide Vesta pode ser fragmento de planeta destruído e não um protoplaneta
Por Sandro Felix
Publicado em 19/05/25 às 16:43
Pesquisadores da Michigan State University lançaram nova luz sobre a verdadeira natureza do asteroide Vesta, um dos maiores corpos do cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter. A pesquisa, publicada em abril na revista Nature Astronomy, sugere que Vesta pode não ser um protoplaneta em evolução como se acreditava anteriormente, mas sim um fragmento remanescente de um planeta completamente formado que foi destruído há cerca de 4,5 bilhões de anos.
O estudo utilizou dados de gravidade refinados, obtidos a partir de sinais de rádio Doppler da missão Dawn da NASA, e revela que Vesta provavelmente não possui um núcleo metálico denso, característica típica de corpos celestes que passaram por um processo completo de diferenciação planetária. A ausência desse núcleo levanta dúvidas significativas sobre sua classificação como planeta embrionário.
“O que estamos vendo é uma mudança fundamental na forma como compreendemos a formação de corpos no Sistema Solar”, afirma Seth Jacobson, líder da pesquisa. Segundo ele, apesar de Vesta apresentar uma superfície basáltica e sinais de atividade vulcânica, sua estrutura interna homogênea não condiz com o padrão de diferenciação esperado.
A análise também questiona a origem dos meteoritos HED (howarditos, eucritos e diogenitos), que se acredita terem se originado de Vesta. Esses fragmentos não mostram sinais de diferenciação incompleta, como seria de se esperar se Vesta tivesse parado o processo no meio do caminho. Para os cientistas, isso reforça a ideia de que o asteroide seria parte de um corpo maior, que teria passado por uma colisão catastrófica no início da formação do Sistema Solar.
Além de reavaliar o papel de Vesta, o estudo também levanta a possibilidade de que outros asteroides possam ter origens semelhantes — como fragmentos de antigos planetas destruídos. Essa hipótese poderá ser investigada futuramente por missões espaciais como a Psyche da NASA e a Hera da ESA, previstas para as próximas décadas.
Segundo Jacobson, os dados sugerem ainda que Vesta pode compartilhar uma origem comum com a Terra ou com outros planetas primordiais. Caso essa teoria se confirme, poderá representar uma revolução no campo da ciência planetária.
O que é Vesta?
Descoberto em 1807 pelo astrônomo alemão Heinrich Wilhelm Olbers, Vesta é o segundo objeto mais massivo do cinturão principal de asteroides, atrás apenas do planeta anão Ceres. Sua massa representa cerca de 9% da massa total de todos os asteroides da região.
Vesta recebeu seu nome do matemático Carl Friedrich Gauss, que escolheu homenagear a deusa romana do lar e da família. Foi o quarto asteroide identificado pela ciência.
Entre julho de 2011 e setembro de 2012, a sonda Dawn da NASA orbitou Vesta, revelando uma série de detalhes sobre sua estrutura e composição. A missão foi responsável por reforçar a ideia, hoje contestada, de que o asteroide era um protoplaneta em desenvolvimento.
Apesar de sua classificação como asteroide, Vesta é quase esférico e foi, inclusive, considerado para a categoria de planeta anão. Uma de suas características mais peculiares é o brilho altamente variável de sua superfície, que apresenta tanto áreas claras — compostas por rochas nativas — quanto regiões escuras, resultantes de impactos com outros corpos espaciais.