Bebês Reborn viram febre nas redes sociais e geram debates sobre saúde mental
Por Sandro Felix
Publicado em 16/05/25 às 17:07
As bonecas conhecidas como “bebês reborn” tornaram-se o centro de uma intensa polêmica nas redes sociais e nos debates públicos brasileiros. O que antes era um nicho voltado a colecionadores e entusiastas de bonecas hiper-realistas, agora se transformou em tema de discussões sobre saúde mental, estereótipos de gênero e até uso indevido de benefícios sociais. Com aparência extremamente realista, esses bonecos são confeccionados artesanalmente, feitos de vinil ou silicone, e podem simular características como respiração, batimentos cardíacos, veias e manchas na pele. O preço pode variar entre R$ 750 e R$ 9.500, dependendo do grau de realismo.
A controvérsia ganhou força nos últimos meses com a disseminação de vídeos nas redes sociais que mostram adultos cuidando desses bonecos como se fossem filhos de verdade. Em alguns casos, usuários simulam consultas médicas, passeios, cuidados diários e até mesmo registros civis. O episódio mais comentado recentemente envolveu a influenciadora Y.B., de Janaúba, em Minas Gerais, que publicou vídeos cuidando do bebê reborn “Bento” e simulando visitas ao hospital. Apesar de afirmar que seu conteúdo é direcionado a crianças e colecionadores, Y.B. recebeu uma enxurrada de críticas e acusações de comportamento inapropriado.
O caso gerou tamanha repercussão que chegou até o Congresso Nacional. Um projeto de lei propõe multas a quem utilizar bebês reborn para obter vantagens indevidas em serviços públicos, como prioridade em filas e atendimentos médicos. A proposta ainda está em tramitação e depende de aprovação no Senado para ser sancionada. Além disso, surgem histórias cada vez mais inusitadas envolvendo essas bonecas, como a de um casal divorciado que recorreu à Justiça para decidir a guarda de um bebê reborn e o controle de um perfil no Instagram criado para a boneca, que já acumula seguidores e gera receita com publicidade.
Especialistas em psicologia e psicanálise divergem quanto ao impacto emocional do uso desses bonecos por adultos. Para alguns, o uso terapêutico pode ser válido, especialmente em casos de perda gestacional ou luto. Outros alertam para possíveis danos psicológicos, sobretudo quando há substituição de vínculos reais por relações com objetos inanimados. A prática também levanta questões sobre os papéis de gênero, sendo muitas vezes mais criticada quando realizada por mulheres, segundo apontam estudiosas da psicanálise.
A discussão sobre os bebês reborn reflete transformações culturais e tecnológicas que colocam à prova os limites entre ficção e realidade, entretenimento e desequilíbrio, liberdade individual e normas sociais. Embora alguns defendam o uso das bonecas como expressão legítima de afeto e arte, outros enxergam exageros e riscos que exigem regulação.